As legendas que as pessoas carregam e à tudo atribuem, sufocam no nome próprio do ser à ilusão de si mesmo. Rótulos são muros erguidos para todos os lados findarem sem irem longe nem se completarem. São restrições, pedaços escolhidos ao sabor da ignorância, reunidos numa sopa de letrinhas. É o encerramento do universo de cada um. É o atraso de vida, é ter na mão o desperdício e a mesquinharia.
Legendas, rótulos, julgamentos: é o envolvimento de duas coisas que na verdade são uma e nenhuma. As duas coisas (o sujeito e o objeto) são criações baseadas na cegueira sobre a unidade das coisas. A realidade última é que as coisas não tem substância própria, são constructos, impermanentes
e frágeis.
A realidade última, em si, não tem substância própria.
Então porque o sofrimento, enquanto a felicidade não pode depender de nada?
Não seria o sofrimento apenas possível na dependência de constructos pessoais?
Ao depender de razões, fórmulas e conceitos, seus passos seguem tortuosos em estreitos becos labirínticos, precisando sempre regressar ao ponto de partida. É o eterno recuo ao porto seguro de todos os medos, é o canto onde se acua.
Dominando-se perante o vendaval de pensamentos, sem a nenhum deles atrelar-se, não se vê barreiras nem diferenciação. Aí a felicidade reside.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
caminhos paralelos
Eu
confio em você. Mas também não sou detentor da sua liberdade nem
juiz dos seus atos. Isso é importante para todos nós. Alguns se
sentem atingidos com o que outras pessoas fazem de suas próprias
vidas em sua particularidade. Associar o fardo de seu próprio
destino às escolhas alheias é de um ego monstruosamente fraco e
dependente. Mais do que nunca eu tenho me observado, como um ator que
se limpa do personagem recém interpretado, antes de incorporar
outro, com o intuito de identificar e eliminar em mim traços e
tendências de dependência e aumentar minha resistência à solidão,
revertendo toda esta energia em ações criativas. A "preocupação"
que se tem com os outros (tirando o sentido de desejar o bem e o de
amar) é mais uma vigilância do que tudo. Vigiar para certificar-se
que o universo de nossas ilusões permanece de acordo com a
capacidade de suportar a insatisfação interior. Penso que a
verdadeira felicidade não é resultado de algo. Todas as descidas e
subidas emocionais são como o cobertor curto, que hora cobre os pés,
deixando os ombros de fora, hora cobre os ombros, deixando sobrar os
pés: um mecanismo exaustivo, inquieto, incapaz de fazer para o
tempo, relaxar e sentir a vida. Assim são as oscilações
emocionais, movidas à expectativa e decepção, acorrentadas em toda
uma relatividade de fatos instáveis, imprevisíveis ou
impermanentes, insistentes numa ilusão de bem-estar. O mundo pode
ruir. Quem quiser segurar algo que não quer perder ou segurar-se em
algo para não se perder, por esse algo será tragado. Se de tudo se
soltar, pelo menos sem com o que se preocupar, ainda assim tragado
também será. O que resta, quando todas as coisas são destruídas
de qualquer maneira? O amor durante...
Bode expiatório do amor
A espera seja lá do que for...
A espera seja lá do que for...
À espera...
de mais dor...
Nos interconectamos somos organismos
meu espirro mata um chinês na China.
Meu catarro,
minha pereba ardente,
meu desespero retumbante
de me amar de fora para dentro.
Humanidade despedaçada em milhares
em infinitas
próprias verdades,
vazias de substância própria.
A espera seja lá do que for...
À espera...
de mais dor...
Nos interconectamos somos organismos
meu espirro mata um chinês na China.
Meu catarro,
minha pereba ardente,
meu desespero retumbante
de me amar de fora para dentro.
Humanidade despedaçada em milhares
em infinitas
próprias verdades,
vazias de substância própria.
Infinita sobriedade.
Inquebrantável nobre verdade.
Dor.
Se quer inovar a dor
acredite nela
com fé
com louvor.
Inove a dor.
Inquebrantável nobre verdade.
Dor.
Se quer inovar a dor
acredite nela
com fé
com louvor.
Inove a dor.
Perpetue-se nesse caminho labiríntico.
Perca-se nos veios vômitos...
Lambuze-se de loucura,
Escorra como lágrima
Tudo o que outrora teve.
Perca-se nos veios vômitos...
Lambuze-se de loucura,
Escorra como lágrima
Tudo o que outrora teve.
E o que ainda não tem.
Tudo o que outrora fora.
Tudo o que outrora fora.
E não mais o é.
Tudo o que é. Escorra, seja o amargor.
Sinta-se.
Sinta-se.
Agora nada chega a nascer para poder morrer.
O que vive morre.
AGORA.
O que vive morre.
AGORA.
O fim do que?
Há algo que se defina para que possa deixar de haver algo?
Há algo que se defina para que possa deixar de haver algo?
O bom relacionamento é não esperar.
Um momento incansavelmente inovador não tem segredo.
Seu segredo é não sê-lo.
A sua verdade é não deixar de vivê-lo.
Lembranças são pensamentos do agora. Existem só na nossa imaginação.
Um momento incansavelmente inovador não tem segredo.
Seu segredo é não sê-lo.
A sua verdade é não deixar de vivê-lo.
Lembranças são pensamentos do agora. Existem só na nossa imaginação.
Não dualize.
Não personifique.
Não personifique.
Não esteriotipe.
Nem arquetipize.
Nem arquetipize.
Temos algum controle dentro do caos.
É pouco, mas é muito.
Somos nós.
Cada um.
Cada um que tiver algum controle.
Ou que pense ter.
Amor.
É pouco, mas é muito.
Somos nós.
Cada um.
Cada um que tiver algum controle.
Ou que pense ter.
Amor.
domingo, 22 de março de 2015
Mais um louco
Sou louco!
Não por querer correr entoando um grito de celebração à vida emanado das forças da Terra em direção ao Universo, mas por não fazê-lo.
A loucura que me arrasa não é devido a vontade insana de me desfazer em partículas de felicidade arrastadas pelo vento e espalhadas sobre a copa de centenas de árvores nas montanhas. A loucura que me arrasa é devido a insanidade de levar a vida como prisioneiro da própria mente.
Quero ver quem valoriza um ato insaciável e mesmo inconcebível de marchar ritualisticamente em torno das bases naturais da existência agradecendo e louvando glórias e ruínas. Normalmente, ainda que dentro de mim isto ocorra, externamente não cabe no senso coletivo mais do que manifestações tímidas sobre eventos irrelevantes. E sempre com a pompa artificial de quem homenageia por obrigação e falsa concordância - de quem não sabe o que faz e assim não faz nada além de reproduzir qualquer coisa coercitivamente à margem de qualquer interesse real. É a humanidade morrendo.
E eu sou louco.
Quando penso em meu corpo incendiando em chamas altas, berro, urro e brado incrível poder, não malgrado nem a mim nem a vida, tampouco desejo extirpar-me ateando fogo e queimando até a morte, até porque isso já ocorre, porém sem o calor vital, sem o grito de guerra aos impedimentos do próprio ser e sem consciência de vida e de morte cada instante.
Quando penso em me diluir como fruta apodrecida na velocidade das águas de um rio, correndo e tombando, desfragmentando o ser, em um eterno vir-à-ser, penso que de meu anterior estado liberto-me, alcanço a criatividade do contato total com o planeta, com o universo, em cada onda que quebra em cada praia, em cada costa, em cada pedra.
Quando penso em encher de terra o espaço entre unhas e dedos e entupir de barro e de lama os poros do meu corpo e quem sabe adormecer enterrado sem preocupações que sejam, penso que este já é um estado intrínseco do meu ser; só não o assumo, o reconheço, soterrado que estou, de fato, por todos os dejetos pavorosos e medonhos de uma mente coletiva e confusa, como também completo este ciclo antropofágico com rigoroso regozijo e sôfrego gozo. Contumaz ao corroer da alma - cheia de mercúrio, repleta de ouro, impenetrável diamante. Imberbe, decrépito. Inqualificável.
A humanidade está mental, física e espiritualmente doente. Neste contexto, ser ou estar louco é ousar, é não respirar ares putrefatos e gases tóxicos e estar em busca de nesgas por onde escapa o puro de alívio e morte.
Não por querer correr entoando um grito de celebração à vida emanado das forças da Terra em direção ao Universo, mas por não fazê-lo.
A loucura que me arrasa não é devido a vontade insana de me desfazer em partículas de felicidade arrastadas pelo vento e espalhadas sobre a copa de centenas de árvores nas montanhas. A loucura que me arrasa é devido a insanidade de levar a vida como prisioneiro da própria mente.
Quero ver quem valoriza um ato insaciável e mesmo inconcebível de marchar ritualisticamente em torno das bases naturais da existência agradecendo e louvando glórias e ruínas. Normalmente, ainda que dentro de mim isto ocorra, externamente não cabe no senso coletivo mais do que manifestações tímidas sobre eventos irrelevantes. E sempre com a pompa artificial de quem homenageia por obrigação e falsa concordância - de quem não sabe o que faz e assim não faz nada além de reproduzir qualquer coisa coercitivamente à margem de qualquer interesse real. É a humanidade morrendo.
E eu sou louco.
Quando penso em meu corpo incendiando em chamas altas, berro, urro e brado incrível poder, não malgrado nem a mim nem a vida, tampouco desejo extirpar-me ateando fogo e queimando até a morte, até porque isso já ocorre, porém sem o calor vital, sem o grito de guerra aos impedimentos do próprio ser e sem consciência de vida e de morte cada instante.
Quando penso em me diluir como fruta apodrecida na velocidade das águas de um rio, correndo e tombando, desfragmentando o ser, em um eterno vir-à-ser, penso que de meu anterior estado liberto-me, alcanço a criatividade do contato total com o planeta, com o universo, em cada onda que quebra em cada praia, em cada costa, em cada pedra.
Quando penso em encher de terra o espaço entre unhas e dedos e entupir de barro e de lama os poros do meu corpo e quem sabe adormecer enterrado sem preocupações que sejam, penso que este já é um estado intrínseco do meu ser; só não o assumo, o reconheço, soterrado que estou, de fato, por todos os dejetos pavorosos e medonhos de uma mente coletiva e confusa, como também completo este ciclo antropofágico com rigoroso regozijo e sôfrego gozo. Contumaz ao corroer da alma - cheia de mercúrio, repleta de ouro, impenetrável diamante. Imberbe, decrépito. Inqualificável.
A humanidade está mental, física e espiritualmente doente. Neste contexto, ser ou estar louco é ousar, é não respirar ares putrefatos e gases tóxicos e estar em busca de nesgas por onde escapa o puro de alívio e morte.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Desobstrução (4.12.5)
É
difícil dizer tudo que penso por causa das palavras.
Nem
todas expressam com exatidão minhas idéias,
As
vezes uma palavra destrói completamente o sentido
E
me torna um mensageiro do desconhecido, logo eu,
Que
queria entornar tantas certezas e ajudar as pessoas.
Tão
difícil quanto, é pensar tudo que sinto.
As
palavras nos limitam
E
jamais uma idéia permanece a mesma
Até
terminar de pensá-la.
O
que me torna um pensador do desconhecido, logo eu,
Que
queria me cobrir de tantas certezas que me fossem possíveis
E
assim ajudar à humanidade.
Sentir,
entretanto, é algo tão pessoal que,
Se
não for meu sentimento absolutamente extraordinário,
Dotado
de superioridade,
Existindo
acima de todos os sofrimentos e
Apenas
ligado à pura felicidade,
Então
esse meu lado pessoal não passa de
Uma
confusão trivial de ser humano.
E
como ajudar a humanidade só com a intenção?
Prefiro
não ter intenção nenhuma,
Não
saber o que estou fazendo,
A
conscientizar-me de minhas capacidades
E
ir pro inferno das boas intenções.
Prefiro
não ter que comunicar minha suposta sabedoria
Ao
mundo.
Prefiro
não ter que raciocinar sobre minhas idéias
Estéreis.
E
estar exigindo um espaço nas terras férteis que desperdiçarei.
Prefiro
não investigar sentimentos, prefiro não dar nome aos bois.
Prefiro
esquecer o significado das palavras e deixar de saber que
É
uma verdade que humanos sentem, pensam e falam.
Assim,
se em algum momento desses eu me esquecer completamente
De
que haviam sofrimentos,
E
me der conta de que nunca mais precisei lembrar de nada,
Nada,
digo, idéias que servissem para me animar,
Conceitos
que julgava me estimular,
A
moral que no fundo só me mascarava,
Então,
poderei ter certeza absoluta
E
não ter que decodificá-la.
Momento da Morte
Momento da morte
costuro tecidos rasgados ao avesso
trago feridas ardidas abertas
dependurada a pele fedida inversa
larvas ardem quentes
nos ânus (no âmago)
das almas
perversas
deito no travesseiro de cinzas
ouço os passos do vagar de sapatos
de sombras que habitam o mesmo recinto.
No hálito que vai e vem no som de gruta em que respiro
continuo existindo embora mentindo continuo sorrindo.
Inspiro os próprios ossos tornados em pó.
cheiro os ácaros molhados que arranham as narinas do enigma da esfíngie
Rasgo o travesseiro e me enfio em pó.
Que a sombra todos sabem usa máscara e esconde o que finge.
Estico carne muscular até que as fibras não agüentam
As moléculas se arrebentam. O ar se extingüe.
Para não haver perpetuar nem resistência não sinto o corte.
O abate é um dia de sorte
ver chegarem as ondas que espumam o sofrimento
e empurram no movimento
Que me leva ao momento
da morte!
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