Eu
confio em você. Mas também não sou detentor da sua liberdade nem
juiz dos seus atos. Isso é importante para todos nós. Alguns se
sentem atingidos com o que outras pessoas fazem de suas próprias
vidas em sua particularidade. Associar o fardo de seu próprio
destino às escolhas alheias é de um ego monstruosamente fraco e
dependente. Mais do que nunca eu tenho me observado, como um ator que
se limpa do personagem recém interpretado, antes de incorporar
outro, com o intuito de identificar e eliminar em mim traços e
tendências de dependência e aumentar minha resistência à solidão,
revertendo toda esta energia em ações criativas. A "preocupação"
que se tem com os outros (tirando o sentido de desejar o bem e o de
amar) é mais uma vigilância do que tudo. Vigiar para certificar-se
que o universo de nossas ilusões permanece de acordo com a
capacidade de suportar a insatisfação interior. Penso que a
verdadeira felicidade não é resultado de algo. Todas as descidas e
subidas emocionais são como o cobertor curto, que hora cobre os pés,
deixando os ombros de fora, hora cobre os ombros, deixando sobrar os
pés: um mecanismo exaustivo, inquieto, incapaz de fazer para o
tempo, relaxar e sentir a vida. Assim são as oscilações
emocionais, movidas à expectativa e decepção, acorrentadas em toda
uma relatividade de fatos instáveis, imprevisíveis ou
impermanentes, insistentes numa ilusão de bem-estar. O mundo pode
ruir. Quem quiser segurar algo que não quer perder ou segurar-se em
algo para não se perder, por esse algo será tragado. Se de tudo se
soltar, pelo menos sem com o que se preocupar, ainda assim tragado
também será. O que resta, quando todas as coisas são destruídas
de qualquer maneira? O amor durante...
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