terça-feira, 31 de março de 2009

Delire os delírios

Orai por si!
Orai, oh, o melhor!
Sejamos todos
nenhum!
Sejamos todos
Ninguém,
Que é bem
melhor
A vida humilde
O amar tão simples
O dormir tranquilo.

Viver saudável
Sempre de bem
Meus instintos eu sigo
O caminho é tão simples!

Cheire o cheiro
Goste do gosto
Goze o gozo
Delire os delírios

Veja sua vista
Fale a sua fala
E durma em paz
Tranquilo,
nas nuvens...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mini-glossário Jaboatão: Psicanálise

Psicanálise: armadilha em que um ingênuo é convencido a pagar um alto preço para confessar seus pensamentos mais íntimos a um espoliador chamado "psicanalista" e assim entrar em completa dependência psicológica deste último, que em troca lhe atribui uma enfermidade psíquica, cuja cura requer muito mais dinheiro e contínua submissão psicológica, pelo tempo que a vítima considerar necessário para compreender o engodo em que caiu.

Nome e existência - texto de J. S. Pitanga

Aquilo, a que chamamos de algo, por definição, só vem a existir na dependência de ser chamado de algo; e aquilo, que supostamente não é chamado de algo, por definição, não pode consistir naquilo, a que chamamos de algo.

Aquilo, que é chamado de algo, é, por definição, definido pelo nome, pelo qual é chamado, e o nome, pelo qual algo é chamado, é, por definição, definido por sua definição; logo, nada existe, que não dependa de um nome e de sua definição.

Logo, aquilo que, supostamente, não dependa de um nome e de sua definição não existe. Ora, aquilo, a que chamamos de "Deus" e de "matéria", por definição, não depende de um nome e de sua definição, do que resulta que não pode existir.

Existência e concepção - Texto de J. S. Pitanga

"Deus" é concebido como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "Deus" é concebido.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "Deus", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "Deus" não existe.
Segue-se que a concepção de "Deus" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

"Matéria" é concebida como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "matéria" é concebida.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "matéria", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "matéria" não existe.
Segue-se que a concepção de "matéria" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

"Substância" é concebida como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "substância" é concebida.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "substância", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "substância" não existe.
Segue-se que a concepção de "substância" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

Aquilo que não consiste numa concepção é concebido como "aquilo que não consiste numa concepção".
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção é concebido.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção, se existe, consiste numa concepção
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção não existe.
Segue-se que a concepção daquilo que não consiste numa concepção existe é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea, ou uma ignorância, ou um obscurecimento.

Mini-glossário Jaboatão: "Deus"

"Deus": ser imaginário concebido como instrumento para a imposição da vontade de poucos sobre a vontade de muitos. Cada indivíduo é movido por seu desejo de afirmar a própria vontade, do que surge o conflito entre as múltiplas e divergentes vontades individuais. Se alguns poucos quiserem impor sua vontade a todos os outros, a força física será insuficiente: é necessário um método que faça com que todos os outros ponham voluntariamente sua vontade a serviço da vontade daqueles poucos. Esse método é o engano. A vontade de alguns poucos é apresentada como se fosse uma vontade universal, dotada, pois, de uma legitimidade universal, acima das vontades individuais, ainda que de muitos. A ingênua aceitação dessa suposta vontade universal implica na submissão voluntária, que a ela se faz, da vontade individual, sem necessidade do uso da força física, que fica reservada para a intimidação e a punição exemplar de recalcitrantes e transgressores. A essa imaginária vontade universal, sob a qual se disfarça a vontade dos poucos que a manipulam, deu-se o nome de "Deus", o suposto criador único do universo, a quem todos supostamente devem obediência. A chamada religião monoteísta, portanto, se constitui num mero artifício político-ideológico, concebido para proporcionar a dominação de muitos por poucos. A árvore do judaísmo, e seus ramos, o cristianismo e o islamismo, são exemplos históricos da grande farsa do monoteísmo. Notavelmente, no livro do Gênesis, o chamado fruto da árvore da ciência do bem e do mal tem seu consumo proibido pelos Elohim (pelos deuses, no plural), porque permitiria ao ser humano tornar-se semelhante a "nós", isto é, ciente da farsa do "Deus único".

Salmo

Feliz aquele cuja ofensa é por si mesmo absolvida,
cujo pecado é desencoberto.
Feliz o homem que a si mesmo não atribui perversidade,
e em cujo espírito não há fraude.

Enquanto calei, meus ossos se consumiam,
o dia todo rugindo,
porque dia e noite a minha mão
pesava sobre mim;
meu coração tornou-se um feixe de palha
em pleno calor de verão.

.

Confessei a mim o meu pecado,
e minha perversidade não me encobriu;
eu disse: "Vou a mim mesmo confessar a minha perversidade!"
E eu mesmo absolvi a minha perversidade,
perdoei o meu pecado.

.

Assim, todos suplicarão a si no tempo da angústia.
Mesmo que as águas torrenciais transbordem,
jamais me atingirão.
Eu sou um refúgio para mim,
eu me preservo da angústa
e me envolvo com cantos de libertação.

.

Vou instruir-me indicando o caminho a seguir,
com os olhos sobre mim, eu serei meu conselho.

Que eu não seja como o cavalo ou o jumento,
que não compreende nem rédea nem freio:
devo-me avançar para domar-me,
sem que me perca de mim.

São muitos os tormentos daquele que é cruel consigo mesmo,
mas o amor envolve quem confia em si.

Alegro-me em mim, justo, e exulto,
dou gritos de alegria, todo de coração reto.
E sei que "eu" não existe.