Momento da morte
costuro tecidos rasgados ao avesso
trago feridas ardidas abertas
dependurada a pele fedida inversa
larvas ardem quentes
nos ânus (no âmago)
das almas
perversas
deito no travesseiro de cinzas
ouço os passos do vagar de sapatos
de sombras que habitam o mesmo recinto.
No hálito que vai e vem no som de gruta em que respiro
continuo existindo embora mentindo continuo sorrindo.
Inspiro os próprios ossos tornados em pó.
cheiro os ácaros molhados que arranham as narinas do enigma da esfíngie
Rasgo o travesseiro e me enfio em pó.
Que a sombra todos sabem usa máscara e esconde o que finge.
Estico carne muscular até que as fibras não agüentam
As moléculas se arrebentam. O ar se extingüe.
Para não haver perpetuar nem resistência não sinto o corte.
O abate é um dia de sorte
ver chegarem as ondas que espumam o sofrimento
e empurram no movimento
Que me leva ao momento
da morte!
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