sexta-feira, 13 de maio de 2011

Alma bruta na fornalha - distúrbio



Ele estava louco, insano. Quem se atreveria a falar-lhe qualquer coisa que fosse? Quem teria coragem de interromper sua linha brutal e assassina de pensamentos?
Os olhos injetados, a seriedade extrema.
A incontrariedade.

Você se jogaria na frente do trem para pará-lo?

Então você não faria nada diante do turbilhão trucida, da máquina humana, da raiva encarnada e da força extrema, canalizada na ação destruidora.

Medo.

Vê a quantidade de erros amontoados no erro, mas desfazê-los como? Não com pressa, não agora, não mais. O que tiver que ser, mesmo no erro, será, por pior que seja. Ele não irá parar. Ele não vê as lógicas possíveis. Só é possível para ele a lógica daquilo que só ele vê. Sua análise já foi feita e, pode ser obtusa, mas é clara, dentro de sua patologia - agulhas por todos os lados. Medo.

Seus passos são a contagem progressiva do terror. Efusivo, marcam seus movimentos a tragédia que se dará pelas mãos, palavras e pela dor.

O pavor contínuo é como a água que ferve, a cabeça incendiada, aflição, maldade, cegueira, niilismo, explosão, fúria e imensidão.



Uma bola de ferro arrebenta concreto e ferro - isso não é nada.
Uma maldade é feita sem porque.

O medo da pessoa ao seu lado, a situação a qual está preso, a interminável angústia, o pavor, a histeria muda.

Cabelos caem, olhos saltam, o coração estira...
A voz acaba, o grito falha, a ansiedade ao infinito.

Não se poderá voltar atrás. Resolutivo e prático em sua vingança.
Ostentação, consumação, erro.

O que não era para acontecer.

O comentário oportuno, leve, a distração que desvia o trem e

Isso não era esperado mas muda tudo.

Foram algumas palavras bem colocadas o suficiente para fazer pensar. Ou, desfazer o pensar.

A chance e a esperança.

A tentativa e a esperança.

A interferência e a influência.

A simplicidade, a ingenuidade.

A ironia, a verdade.

A avalanche, o distúrbio, tudo isso desaparece

E a história não precisa continuar.