Ele estava louco, insano. Quem se atreveria a falar-lhe qualquer coisa que fosse? Quem teria coragem de interromper sua linha brutal e assassina de pensamentos?
Os olhos injetados, a seriedade extrema.
A incontrariedade.
Você se jogaria na frente do trem para pará-lo?
Então você não faria nada diante do turbilhão trucida, da máquina humana, da raiva encarnada e da força extrema, canalizada na ação destruidora.
Medo.
Vê a quantidade de erros amontoados no erro, mas desfazê-los como? Não com pressa, não agora, não mais. O que tiver que ser, mesmo no erro, será, por pior que seja. Ele não irá parar. Ele não vê as lógicas possíveis. Só é possível para ele a lógica daquilo que só ele vê. Sua análise já foi feita e, pode ser obtusa, mas é clara, dentro de sua patologia - agulhas por todos os lados. Medo.
Seus passos são a contagem progressiva do terror. Efusivo, marcam seus movimentos a tragédia que se dará pelas mãos, palavras e pela dor.
O pavor contínuo é como a água que ferve, a cabeça incendiada, aflição, maldade, cegueira, niilismo, explosão, fúria e imensidão.
Uma bola de ferro arrebenta concreto e ferro - isso não é nada.
Uma maldade é feita sem porque.
O medo da pessoa ao seu lado, a situação a qual está preso, a interminável angústia, o pavor, a histeria muda.
Cabelos caem, olhos saltam, o coração estira...
A voz acaba, o grito falha, a ansiedade ao infinito.
Não se poderá voltar atrás. Resolutivo e prático em sua vingança.
Ostentação, consumação, erro.
O que não era para acontecer.
O comentário oportuno, leve, a distração que desvia o trem e
Isso não era esperado mas muda tudo.
Foram algumas palavras bem colocadas o suficiente para fazer pensar. Ou, desfazer o pensar.
A chance e a esperança.
A tentativa e a esperança.
A interferência e a influência.
A simplicidade, a ingenuidade.
A ironia, a verdade.
A avalanche, o distúrbio, tudo isso desaparece
E a história não precisa continuar.

