domingo, 15 de novembro de 2009

Salve o matador!

Evapora o lodo pesado das vidas anteriores.
O sol queima.
Arde!
O alívio de matar um membro da nossa vida que tanto nos castigou.
A morte é um festival e o matator um herói.

lei da carne cármica

Uma pessoa morre.
Sua pele fica porosa e cinza.
Ninguém beijaria a bochecha do defunto se já não gostasse de presunto.
Na verdade os lábios frios e duros são feitos de uma carapaça de células mortas, escamas e poeira orgânica, ... Roxa de gangrena fica a carne quando estufa.
Vazia de alma, fria de vida, a ossadura agora são recifes num mar de parasitas comedores de tripas, andarilhos enfurnados em sulcos largos de rugas.
Que delícia! Diria aquele que morre de fome, quando visse sendo esquartejado um outro homem.
O abate é um dia de sorte.
É dia que se encerra a fila da morte.
Não se morre mais agora.
E agora?
.....
Através de ratoeiras perdemos os membros queridos das nossas vidas.
Entes que faziam parte da nossa busca egoísta de nosso mundo ilusório narcisista.

Devoro só a mim.
Degusto só a mim.
Só a mim conheço.
Só a mim exerço.
É em relação a mim que vivo.
O resto é fantasia reprimida
transformada em dia-a-dia
relegada à hipocrisia.

Eu me mereço
Não há outra lei.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aproveitar O Erro

Não espere consertar o passado.
Observe os efeitos no presente.
E Influa.

Aproveite o impulso já existente.
Aproveite o erro.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Louco Perseguidor

Uma fonte forte estrebulha atrás de mim,
correndo, tropeçando, levantando, queixo aberto, abelhas zumbem
levanto, corro, corro, escorro, suo
mergulho,
gelo, dor, pele rasgada
vômito de palavras pesadas, rasgadas
estouro da marreta no crânio inimigo louco
que corre
frios
calores
na barriga,
bate o coração na nuca,
nos ouvidos,
veias pulsam
pescoço,
corro,
suo,
pélo,

Subo desesperado no pico do morro,
agarro o chão de terra com a unha
aberto o joelho
suo
não sinto a dor
subo
ofego
puxo
agarro
corro

o mais rápido possível é muito devagar

acordo, suo
corro
não sinto a dor
corro
durmo
rasgo
suo
pélo
rasgo
pulo

queimam os pés
ardem as unhas cheias de terra
rasgo o tecido da comida cheia de vazio
suor e
um cheiro de oculto

Há algo,
há algo,
oculto

Insano,
massacro,
estico
rasgo
espeto,
risco,
mastigo
suspiro,
transpiro,
inspiro,
expiro
mergulho
na fumaça.

Me entorpeço de súbito.
Lugares sem nada.
Não lembro.
Não vivi, não estive.
Memória seletiva.
Vivências esquecidas, ocultas.
Sem a menor experiência vivida,
acordo,
cançado.
Fecho os olhos e volto.
Para não sei-onde.
Louco perseguidor.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Frio

O mundo gira mesmo sem mim.
As pessoas cuidam de suas vidas e porque eu teria algo a ver com isso?
Ninguém sabe o que eu sinto.
É assim que eu me sinto, sozinho, com frio.

Durmo num quarto frio, sem móveis, sem vida;
baratas;
acordo com dores no pulmão
acordo e continuo tonto
dou um gole do vinho para matar a fome
em troca de ficar enjoado.
Não tomo banho por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Sensação de poça d'água, pocilga, urubu, pentelhos, sarna.
Idéia de tudo errado.

Durmo de roupa da rua para não sujar o pijama ainda limpo na mala.
Na cama nojenta não viro pro lado por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Entretanto,...
esquece...

Se começar a imaginar o que dia-a-dia é feito naquela cama
e por quem
nem durmo.
Tão à vontade, peludas e marrons, as baratas
não quero perturbar as verdadeiras donas desse quarto.
Não me permito me sentir à vontade
numa vida que não é minha
que é em vão.

Não me permito sentir prazer
porque a dor justifica a culpa
e a culpa justifica a dor

Aonde está a minha vida?
Esta é a minha vida.

Que grita
urra
se autodestrói
e ejacula dor

De noite gritos
madrugada galos
de manhã sustos: que horas são?! Onde estou?!

O que eu fiz?!

O que está acontecendo comigo? O que está...?
O que...?
O que mesmo?
Já nem sei...

Nem mesmo das drogas eu gosto mais.
Sem ânimo,
fodido,
fodido.

O corpo cansado anda com malas perdido nas ruas horríveis do nada.
Não há nada que me agrade.
Ninguém sabe o que eu penso.
Ninguém me pergunta.

A viagem para longe, pra que, se eu vou sempre junto?
Não posso fugir de mim.

Ficar parado,
esperando tudo acabar.
Vendo que nada vai acabar.
À volta está tudo igual.
Ou seja,
nada.

Nada.

Nada.

Nada.

Quero muito uma coisa que não sei o que é.
O tempo está se esgotando.

Quero chorar
mas não tenho a menor vontade.
Seco, observo a mim mesmo observando a mim mesmo.
E isso não me leva a nada.
E a que me levaria?
No que resultaria?
O que eu quero?

Não quero mais nada.

Fatigado,
murcho,
frágil,
qual uma folha seca
que vira farelo se tocada,
Sozinho, eu não sou nada.
Nem o pior que se pode ser eu sou.
Sou pior do que isso.
Não sou tudo aquilo que sonho
para poder continuar sonhando
e ser covarde.

terça-feira, 31 de março de 2009

Delire os delírios

Orai por si!
Orai, oh, o melhor!
Sejamos todos
nenhum!
Sejamos todos
Ninguém,
Que é bem
melhor
A vida humilde
O amar tão simples
O dormir tranquilo.

Viver saudável
Sempre de bem
Meus instintos eu sigo
O caminho é tão simples!

Cheire o cheiro
Goste do gosto
Goze o gozo
Delire os delírios

Veja sua vista
Fale a sua fala
E durma em paz
Tranquilo,
nas nuvens...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Mini-glossário Jaboatão: Psicanálise

Psicanálise: armadilha em que um ingênuo é convencido a pagar um alto preço para confessar seus pensamentos mais íntimos a um espoliador chamado "psicanalista" e assim entrar em completa dependência psicológica deste último, que em troca lhe atribui uma enfermidade psíquica, cuja cura requer muito mais dinheiro e contínua submissão psicológica, pelo tempo que a vítima considerar necessário para compreender o engodo em que caiu.

Nome e existência - texto de J. S. Pitanga

Aquilo, a que chamamos de algo, por definição, só vem a existir na dependência de ser chamado de algo; e aquilo, que supostamente não é chamado de algo, por definição, não pode consistir naquilo, a que chamamos de algo.

Aquilo, que é chamado de algo, é, por definição, definido pelo nome, pelo qual é chamado, e o nome, pelo qual algo é chamado, é, por definição, definido por sua definição; logo, nada existe, que não dependa de um nome e de sua definição.

Logo, aquilo que, supostamente, não dependa de um nome e de sua definição não existe. Ora, aquilo, a que chamamos de "Deus" e de "matéria", por definição, não depende de um nome e de sua definição, do que resulta que não pode existir.

Existência e concepção - Texto de J. S. Pitanga

"Deus" é concebido como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "Deus" é concebido.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "Deus", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "Deus" não existe.
Segue-se que a concepção de "Deus" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

"Matéria" é concebida como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "matéria" é concebida.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "matéria", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "matéria" não existe.
Segue-se que a concepção de "matéria" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

"Substância" é concebida como algo que não consiste numa concepção.
Segue-se que "substância" é concebida.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se "substância", se existe, consiste numa concepção.
Segue-se que "substância" não existe.
Segue-se que a concepção de "substância" é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea.

Aquilo que não consiste numa concepção é concebido como "aquilo que não consiste numa concepção".
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção é concebido.
Ora, aquilo que é concebido consiste numa concepção.
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção, se existe, consiste numa concepção
Segue-se que aquilo que não consiste numa concepção não existe.
Segue-se que a concepção daquilo que não consiste numa concepção existe é uma concepção do que não existe ou uma concepção errônea, ou uma ignorância, ou um obscurecimento.

Mini-glossário Jaboatão: "Deus"

"Deus": ser imaginário concebido como instrumento para a imposição da vontade de poucos sobre a vontade de muitos. Cada indivíduo é movido por seu desejo de afirmar a própria vontade, do que surge o conflito entre as múltiplas e divergentes vontades individuais. Se alguns poucos quiserem impor sua vontade a todos os outros, a força física será insuficiente: é necessário um método que faça com que todos os outros ponham voluntariamente sua vontade a serviço da vontade daqueles poucos. Esse método é o engano. A vontade de alguns poucos é apresentada como se fosse uma vontade universal, dotada, pois, de uma legitimidade universal, acima das vontades individuais, ainda que de muitos. A ingênua aceitação dessa suposta vontade universal implica na submissão voluntária, que a ela se faz, da vontade individual, sem necessidade do uso da força física, que fica reservada para a intimidação e a punição exemplar de recalcitrantes e transgressores. A essa imaginária vontade universal, sob a qual se disfarça a vontade dos poucos que a manipulam, deu-se o nome de "Deus", o suposto criador único do universo, a quem todos supostamente devem obediência. A chamada religião monoteísta, portanto, se constitui num mero artifício político-ideológico, concebido para proporcionar a dominação de muitos por poucos. A árvore do judaísmo, e seus ramos, o cristianismo e o islamismo, são exemplos históricos da grande farsa do monoteísmo. Notavelmente, no livro do Gênesis, o chamado fruto da árvore da ciência do bem e do mal tem seu consumo proibido pelos Elohim (pelos deuses, no plural), porque permitiria ao ser humano tornar-se semelhante a "nós", isto é, ciente da farsa do "Deus único".

Salmo

Feliz aquele cuja ofensa é por si mesmo absolvida,
cujo pecado é desencoberto.
Feliz o homem que a si mesmo não atribui perversidade,
e em cujo espírito não há fraude.

Enquanto calei, meus ossos se consumiam,
o dia todo rugindo,
porque dia e noite a minha mão
pesava sobre mim;
meu coração tornou-se um feixe de palha
em pleno calor de verão.

.

Confessei a mim o meu pecado,
e minha perversidade não me encobriu;
eu disse: "Vou a mim mesmo confessar a minha perversidade!"
E eu mesmo absolvi a minha perversidade,
perdoei o meu pecado.

.

Assim, todos suplicarão a si no tempo da angústia.
Mesmo que as águas torrenciais transbordem,
jamais me atingirão.
Eu sou um refúgio para mim,
eu me preservo da angústa
e me envolvo com cantos de libertação.

.

Vou instruir-me indicando o caminho a seguir,
com os olhos sobre mim, eu serei meu conselho.

Que eu não seja como o cavalo ou o jumento,
que não compreende nem rédea nem freio:
devo-me avançar para domar-me,
sem que me perca de mim.

São muitos os tormentos daquele que é cruel consigo mesmo,
mas o amor envolve quem confia em si.

Alegro-me em mim, justo, e exulto,
dou gritos de alegria, todo de coração reto.
E sei que "eu" não existe.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Me retiro

Ah,
Se eu fizer um filho...
Darei-lhe outro nome.
Será ele outro homem
Bem melhor
Do que eu sou.

Se a coragem se acovarda
Vive em guarda
Vem gritada –
“Faço nada!”
“Faço nada!”
“Não, não!”
“Nada”,
“Não, nada!”

Quero ter por perto
A mulher que não abandone
O risco de viver
em constante desafio.

Não precisa ser de um jeito
Que tenha que ser.
O que for do meu destino
é para mim águas do rio.

Dentro do que eu sou não há nada
Limitado.
Dentro da razão há um homem
Apaixonado.

Desequilibrado.
.


!!!

Meu lado mulher aflora em ácido puro.
Caráter de Jacarandá,
Até Deus vai rezar.
!!!


Minha mãe querida
Que sempre cuidou de mim
Comprará revistas
Para me cortar.

Meu pai
Gozou às vísceras
Criou-me de suas tripas
Gerou-me um parasita
Para o mundo ter que me aguentar.

O Exército,
me chama à morte.
À vingança.
À vitória.
E eu
Me chamo “tudo”,
neste instante:
Ignorante,
Impermanente
Delirante
Fim.
.
.
A morte,
Se eu morrer,
Será como um mendigo
Que eu não encaro.
O mendigo,
se viver,
verá que a morte
sai menos caro.

Dentro do que eu sou não há nada

Limitado.

Dentro da razão há um homem

Apaixonado.


Desequilibrado.
.
.
Nem sempre
Os livros sócrates.

Nem sei se sou humano.

Se for ela,
a minha espera,
A amarei,

Como me amo.
.
.
Quero febre alucinógena
Para me livrar do raio dessa lógica

Quero uma vida narcótica
Para me aliviar de toda essa droga

Quero uma família neurótica
Para fugir do eu futuro,

Quero quebrar o relógio
Medidor de tempo perdido.
Quero estrangular minhas lembranças
Tão queridas
Meus sonhos me envergonham
Por não terem sido realizados

Serei a carcaça educada
Que aprendi a ser
No meu retiro.

Eu me retiro.

São



Finalmente são.
Dono de algo que eu nunca tive
E nunca terei.
Fiel servo da Senhora.
Vida, nunca tive
Apenas chorei fantasias.
A minha vida agora é sua.

A vida é uma puta,
que nos dá todas as oportunidades.
Nós somos os bunda-moles
rimos do que dizemos não ser o certo
Mas nós não sabemos o que é o certo.
Nem nunca vamos saber.
Só vocês podem nos ajudar a lidar com isso.
Só você pode me ajudar a lidar com isso.
Tira a minha dúvida,
Me deixe sem dúvidas.
Mas não me responda nada,
Só me diga,
sem que eu pergunte
ou pense
ou tente ser
eu,
que não existo.
Ou sei lá.
Me diga,
antes que eu me perca;
Se eu pensar, já se sabe o que será
Será que será que será?
Sei lá.
Não quero mais saber.
Quero a tua.
visão.
das coisas.
de tudo, de mim, do que eu devo ser
pois eu não me vejo, sou
totalmente cego
não - não apaixonadamente cego, não!

não vejo mais é nada.

Então não me vejo.
...uma palavra para esse sentido que procuro...
Se houver uma palavra -- e eu a poderia ter inventado enquanto tentava falar igual à gramática --,
a palavra pouco importa.
Para um idiota.
Para mim, ela nada importa.
ela não importa.
nunca.
Não fiar-se em palavras.
Elas são o modo rudimentar de comunicação entre dois ou mais seres humanos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Castigo




Incinera o Velho,
a começar pela cabeça
que é para extirpar do mundo
logo
de uma vez
essa praga.

Vamos fazer uma reunião lá em casa
vai ter comes e bebes
muita conversa
e o fogo na janelinha
do incinerador
para nos aquecer gostoso.

In Vino Veritas
In Herbam Possibilitas
Pacis Anhelus Semper
E nada mais será.
Tudo já era.
A carne estala
rasga
torce
Os convidados brindam
coçam,
tossem;
beliscam e sacodem
aliviam, esticam
A festa é linda

A parede da casa tem um buraco
Com uma gaveta
Comprida
de Cinzas



O barro guarda os farelos do velho
podre
findo o calor da carne
as chamas lambem
Faceiras
Esganadas
Vieram recolher
as pontas para não restar nada!



Extirpado.
Todos são velhos
com medo da minha casa
onde o incinero.
Deito a cabeça morta de bebê
desse velho decrépito
e
asqueroso..
no fundo da gaveta
para incendiá-la primeiro.
Sai! Não quero ver nunca mais a sua cara!
Veja que festejo o seu sumir derradeiro!
Vou me lembrar dessa data
com o ruído dos brindes
o som da música clássica
da salsa
dos sorrisos
e dos cínicos,
que,
apavorados,
se viram deitados,
por mim, derrotados e vencidos,
e em meu espelho maldito,
Justo em refletir todo o passado
escaldado no rosto pervertido
de todo meu amigo
dos que bebem rápido,
molham aliviados,
a boca seca e grudada
para saberem
ou pelo menos crerem
que ainda estão vivos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Muito Confiante, Senão Ingênuo






Gabriel
se
AMA
CEGAMENTE.
"Meus Segredos"
Ele pensa, chupando a chupeta
Escuta!, o Sêu Fraldinha!,
"Dita"
Sêu, fraldiinha,
escreve nas linhas - certinhas! -
"O seu silêncio, Mulher, é do tamanho da sua paciência"
"A sua mentira, o deboche na cara de um otário"
Que pena!... Que o obceno (Seja ridículo) Não é o amor,
Seu fraldinha
VÊ se Cresce..
Já to sem paciência.
Se eu te puxar
pq quantos caminhos pra te encontrar
E as dúvidas para você se encontrar
Enfia essa mamadeira
feita só de vento
e vê se arrota
Alguma
Erudição.
Pois ser

Zinho
Não
Tem
Música.
Os Homens executam
Enquanto elas preparam as mortalhas
Dos Sonhos dos que ficaram
São aranhas
perversas
a costurar
a húltima hora
a costurar
a primeira manhã
daquele
ser
frágil
que sente
o sol
e a grama Natural
e orgânica.
Prazeres anormais,
meu caro,
você não sabe o que tem do outro lado.
João Batista,
Eu quero a sua cabeça
João Batista
nunca me deu beijo que eu queria.
Agora danço nua
na lama
da cidade
Danço nua
e os mendigos me comem
joão batista
os mendigos que vc abençoou
João Batista
Mas eu só penso na sua boca
João Batista
Enquanto eles devoram a minha carne
Eu só quero a sua boca
Eu só quero a sua boca
eu só quero a música que ele me trás,
escondida
de noite
sem ela
eu não vivo
não respiro
não sou ninguém
pq ela me devolve a vida, joao batista,
Todos eles me devoram
Que homem santo voce é?
Sabe o que eu sou?
a Sua Salomé
Sabe o que eu sou
O teu mel no deserto.
O gafanhoto que arde na sua garganta
E é por isso que você cospe o veneno verde do sangue do inseto
por isso que você se diz santo quanto as vestes pobres
mas santo, joao batista, você não é.
Escreve, porra!
Ele vocifera todos os dias,
CARALHO.
Ele vocifera o seu fígado
e ainda quer que eu engula..
Eu renovo todos os dias
Esse órgão inútil
Sem vida
Eu dou a minha alma
e a minha língua
e os lugares mais escondidos
Dentro da boca de joão batista
Ele abençoa o filho de deus
Ele proclama
Ele se proclama aquele que antecede o salvador
Ele quer descobrir o que é ser queimado
Ele quer que todos saibam quem foi a mao que abençoou os cegos e os condenados.
"A biblia é a história de um corno?"
Mas da tua boca,
Iocanan
Chupastes.
Iocanan
é João BATISTA
"JOANA DARK FOI A MULHER QUE PERDEU A PACIÊNCIA,"
Ela diz que ela perdeu a paciência e
A crença
da língua dos soldados
que antes a seguiam
"O vicente é uma mulher"
"Ou apenas sábio"
"Ou apenas sábia"...
Come a maçã,
come
come a maçã
come...
"SEDE, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
SEDE DE CONHECIMENTO, DIZ O HOMEM!"
Você acha, Iocanan,
"A respiração serve para ter paciencia para escutar as mulheres que nada sempre retorna?! Sou seu servo"
Eu danço e me dispo e você vocifera Vocifera Pelo medo contido Iocanan Você dorme Pelo bem retraído Não é, iocanan, "Eu", sempre perdido.
"Nossa" Ser mulher é rir para não chorar. SEDE DE CONHECI..."
não foje da sua salomé joao batista
quanto mais você me odeia
mas eu tiro os véus
recolhe agora os pedaços,
reconstrói o que você quer em mim, joão batista
eu danço
estou aos seus
pés
Mas você continua a vociferar
joao batista
"SAI!
Insana!
SAI!,
Mulher!
Minha filha, o que vai..."
O que vais pedir ao rei velho
Rei velho é homem
Eu quero a cabeça
na bandeja
"Não preciso dizer nada"
"Dita"
"Será?
O que será que será?!
Será que será?!
Mas não era só a cabeça??"
Sabe
uma cabeça
sairam
outras vidas
das outras almas
do joão batista
quem ele era
quem você é, Gabriel?
As cabeças de uma hidra?
Atenção:
Uma
É
IMORTAL
Sentirá sempre
prazer e dor
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa....................................................................
... ........ .
Sentirá que sua vida
é maior
pura
aflita
inconstante
aflita
e tranquila.
Volta Artista
Volta a pintar
volta querer a tua vida
de volta
Que te escutem mesmo no deserto
Que te escutem os desgarrados
as putas
os nobres
AAAAAAAAAAAAAAAAAhiiiiiiiiii
...
Tudo..
"Eu acho que nunca uma desistência foi tão boa
Tão saudável!"

Ta desistindo do que,?
Gabriel.
"Há, há...
De mim!"

...

Você só me ama se você tiver sobr efeito narcótico?

..

..

..

Quieta!
Cachorra!
Budismo acalma os cães!
A quem pertence, Salomé?
a si mesma, eu sou a voz que clama do deserto.
Mas da tua boca, Iocanan
vem a salvação
Então eu vou te purificar, Salomé,
com a calma, a paciência, a impermanência, então
Iocanam,
me deixe
Jamais serei
a tua pomba saída das águas tranquilas sou isso o que vês
VÊ, iocanam?,
os pedaços mordidos, esquecidos, desejados, impermanentes,
da minha carne,
Iocanan?
Vê que não temos todo o tempo,
Iocanan.,?
Então deita em cima de mim,
Porque não temos
O necessário.
Sou putrefato.
Amanhã já não verás.
O que te devolvi
Da minha cama
Se o Profeta tivesse
Me deixado deitar
Eu de bom grado o teria
deixado ir...






O marinheiro bêbado pobre
velho,
sentado no chão
que vai comer teu cu.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Sol das três da madrugada


De cabeça lavada
E boca aberta
Para a imagem do ser eloqüente
Às gargalhadas
para você sabe quem
no topo da testa
vê sem imagens
a vida que sente
de quem sempre
se acaba.

Uma linha de desvios
Um sinal aberto
Para a morte
O símbolo da inquietude
A vontade súbita
de nada.

Sim,
Sou o Sol das três da Madrugada.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Exaltado



Me sobe o sangue, infla o pulmão

Não penso, só falo, os olhos arregalo

Vitoriosamente louco, prisioneiro solto

Manifesto a raiva e o amor pelo que digo

Meus instintos eu sigo, meus impulsos são puros

E se os gritos são nulos, então não fiz nada

E minha alma exaltada fugiu do equilíbrio

Aderiu ao extremismo e se contradisse

O descontrole que tive me foi sofrimento

E o momento seguinte, só nostalgia

Perdi energia, estive errado

Morri acabado, exausto, sem força

O sangue ebuliu, depois congelou

Minha voz agrediu, minha esperança era pouca

Minha razão, talvez certa, expressava-se cega

Sozinho ou com todos, era meu o motivo

Quanto mais eu ataco, maior é o perigo

E se fico calado, preservo minha imagem

Se coragem é muita, então desafio

E se rio do passado, qualquer coisa aprendi

Um dia exaltado...

Coração descontraído, um dia se ri

E se me ver estendido, com um belo sorriso

É porque eu morri.



20/10/2003

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Agradecimento

Eu agradeço à existência, por existir.

Não sei como seria não existir, mas sei que enquanto ser existente sou muito feliz.

Não sei se há algo além da felicidade, algo ainda maior, melhor e mais livre,

Talvez haja, e talvez seja isso que eu vivo.

Algo maior que a felicidade.

Aquilo que me parece ser o mais alto ideal, eu concebo, tão plenamente, e vivo...

Não me falta nada, não reclamo de nada.

Não tenho pressa.

Agradeço não sei a quem.

Ou à que.

Ou, se tudo depende de mim, à mim.

Não sei, e não me incomodo.

Tanto faz. Está sendo bom.

No dia-a-dia, entre as picuinhas

Falo, reclamo, praguejo, xingo

Invento, amaldiço-o

E pareço tão infantil.

Porque sei que isso tudo é brinquedo de criança

Enquanto o ser maduro em mim abençoa todas as pessoas

Caminha sorridente, leve

Alegre

Perdoa a tudo

Ama cada pedacinho

Da vida

Tão traumática

Dramática

Aterrorizante.

Ama os percalços

As ziguiziras

Os piriris

Os obstáculos intransponíveis

Porque acredita em impermanência

Se o muro não cede, eu cedo

Se eu não cedo, o mudo cede

A vida vai sempre em frente.

Os passarinhos voam

O céu é imenso

Janelas urbanas, cada uma pequena tela indiscreta da vida rudimentar de seres cheios de meios, aparelhos, botões e máquinas,

Tudo é tão fácil para esses seres modernos que não usam mais clavas

Mas que odeiam ainda,

E brigam por qualquer coisa

Que é ridículo.

Somos exatamente os mesmos, de roupas sempre novas.

As pessoas demoram para ser felizes.

E se libertar

Agradeço por ser assim

Agradecer, isso é o meu instante presente eterno

Me resta ser um fofoqueiro espiritual.

Inimigo das seitas secretas

Das maçonarias

E dos grupos fechados

Étnicos, culturais, genéticos, econômicos

À todos odeio, com a força da minha compaixão.

Isto é, os abençô-o.

Vejo as diferenças, discordo, não gosto, me revolto,

Tudo num único instante.

Vejo que são homo-sapiens de roupas novas

Tristes

Infelizes consigo mesmos

Tentando de todos os jeitos errados serem felizes.

À base da ignorância

À base da segregação,

Do mau uso do poder,

Do uso do dinheiro.

E da manipulação.

Coitados.

Ainda sofrem.

Fervorosos cantam suas diferenças como se as defendessem do fim vigente.

Com medo do diferente.

Com medo do próprio futuro.

Mutável.

Incessante.

Apegados, morrem, instante por instante.

Envelhecem na sua frente, a cada comentário racionalmente embasado.

Não se contradizem.

Morrem.

Perpetuam para dentro de si sua religião... E daí?

Deu no que?

Desapegado, nasço, instante por instante.

Rejuvenesço na sua frente, a cada quebra de certeza.

Pra mim é tudo novidade, sempre.

Vivo.

Eu é que, de fato, vivo.

Perpetuo através dos que me vêem o meu hábito estranho

Ser feliz sem motivos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Máxima Schillingspringerpitanguiana 5

A Regra e a Quebra da Regra.
Eis a Regra da Vida.
Uma Regra que concebe a Quebra
De si mesma, tomando isso como Regra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Meu Bem

Pornoético
Pornoépico
Pornoácido
Pornoártica
Como você é fria, meu bem
Pornoóptico
Você é que não enxerga nada
Pornoantropológico
Vai ao zoológico,
Assiste
E aprende
A fazer
O que a natureza manda!
Seu anta!
Lerdo!
Picalesma!
Goiaba!
Bichada, até quem sabe?!
Esponjosa,
Viril? Há, há, há, há, há!
Ridículo!
Isso sim ô bundudo!
Formigão!
Tem nego até que te olha!
Vai ver que tu até que se molha
Da tua piroca
Pornocópia
Da Cornocópia
Microscopica
Power Point
Que nem liga
Nem nada.

Fica com a tua punheta
Bate, bate, até rasgar
Essa pica de merda
Só não vai é se matar
De tanto gozar
Sozinho no quarto.
Sem ninguém.

Você devia ter nascido mudo
Ou mulher
Para ver como é
Ser tomada
Por um macho
Nada mais que idiota.

Meu bem.

Dia há Dia



Minha vida é azul,

Amarela também.

Tem verde, bastante;

A minha vida é como a de ninguém.

E a minha vida é como a de todo mundo

Abunda de compaixão

Afunda em absorção

E diz amém.


Sou Mestre de mim,

Comando a verdade.

Planto aipim

Colho na idade

Utilizo todo tipo de erva

Nas poções pelo fogo exaladas

Fumo as essências de outro planeta

No cachimbo da ilusão perdida, achada

Entro em estados profundos da existência

E a minha vida é como a de todo mundo

Abunda da experiência

Abunda de fraternidade

(Abunda) de riquezas também

E diz amém.


As pessoas são tantas,

Tão interessantes!

Pesquisá-las, todas!

Cada uma a seu devido instante.

Absorver-lhes a loucura

Emergi-los de si

Trazer pra própria casa

Criar um saci

Ouvi-los todos, criar um monstro!

Que eu mostro pra Deus

Que eu quebro o espelho!

Me liberto de mim!

Rasgo em vermelho!

Mato o capim!

Arranco a raiz!

Esmago a matriz, a semente, o sumo

Engole a polpa no gole, meu amor,

Que é vitamina!

É energia também!

Diz amém.


Amo a música!

Amém!

Furo as ondas!

Amém!

Subo nas árvores!

Amém!

Senhor!, quer que eu carregue as caixas?

Senhora, quer que eu abra a porta?

Madame, quer que eu carregue a senhora?

Senhorita, levo suas frutas para minha mesa?

Lavo-as e chupo-as?

Sorvo-lhe

Beijo-lhe a nuca

E como de surpresa

Como-a de sobremesa?

E louva-me a mim, tu também?

Amém!

Amém!


Aleluia!


Abre a boquinha, engole a hóstia

Dessa alegria tão bonita e sem fim

louva-me a mim, louva-me a mim

assim, de joelhos, assim, assim

Amém!!!

Aleluia!!!


Glória aos céus!

Vivo eu nessa pajelança

Deuses me escutam

porque eu sou criança

Acredito no mundo

Fundo! Fundo!

"Ó Senhor, és comigo tão misericordioso"

Vou tirar minhas roupas e andar nu pelos campos

"Tão tesuso, tão gostoso"!

Vou andar por aí...

Eu posso ser o que eu quero.

Posso falar doce

Posso fazer Milagre

Posso andar por aí!


Minha Lei Divina

É você, tão feminina

Ó Vida, Mulher, Ó Natureza!

Senta e põe a mesa!

Agora eu quero comer.

Ser farto e glorioso

Dar glória aos céus

Porque sou criança

E acredito no mundo

Desnudo seus véus

Respiro as brisas

do rio entre suas montanhas

E sinto tão puro

O Ser que se convence de si

De ser o próprio prazer.

Uma substância translúcida

Escorre secreta e tímida

Da sua fantasia

Para a minha alegria.


A-le-luia!

Saravá!, Afinal...

Louvemos o Senhor,

Que vos falo

em um estado

enrijecido

vos falo

no ouvidinho

na orelhinha

ó, ó....

ó, querida ovelhinha...

"mééééah"!

Baliu?

De prazer?


Viver é tão bom!

Adoro!


Vamos elevar o nosso pensamento!

Fumar maconha

E se preocupar com as vírgulas.

Beber muito mel!

Direto da fonte

Dentre as montanhas

Deitar no mato e recitar epístolas

Anunciar boas vindas

Aos invadidos

Aos desregrados

Aos sem batismo

Aos desvalidos

Pobres suorentos

Pseudos

Mendigos


Amém.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dia

Eu sou o andarilho
contente.
Capa e cajado
em frente.
Sempre eu vou
adiante.
Ando no passo
do passo instante.

Da minha bagagem pouco mantive.
Da minha coragem nada retenho.
De cima da ponta do pico do precipício
canto e danço, choro e rio.
vou e venho.
Calmo assisto a mudança.
louco levito e pouso
sábio vislumbro a nuância.
da flor que encanta
da pena que balança
do vira-latas
dos espinhos.
certeza que cansa.
dúvida eu tenho
e nela resisto
saber o risco
de não saber que não existo.
e saber que encanta
não saber como canta.

Em mim reside pleno poder.
Sou deus, sou diabo
sou dono do meu pedaço.
transformo, consumo, amasso.
Vejo por trás de você aquilo nem você vê.
Digo um conselho numa ordem num fascínio num choque.
Queimo, incendeio, conquisto a sorte.
De cima sou visto mais e por mais.
Ensino a dureza de que se é capaz.

Trago.
Inspiro.
Almejo.
Carrego comigo a vontade.
sete vidas em uma
unidas por íntegro caráter.
Luas, estrelas, esfinges
cidades, castelos, coragem.
Carrego minha cruz
à passeio
me honro em cumprir
sempre ínclito
todas as necessidades.

Um gesto macio
de puro equilíbrio
eu mostro que rio
sem tensão nem alívio
apenas demonstro a sua igualdade
no rosto inverso da sua verdade.

Nasci, sou feliz.
O que se diz, se sou feliz?
Eu sou feliz, o que me diz?
O que eu fiz?
o que ainda não fiz eu vou fazer porque já fiz.
Tudo é fácil, tudo é claro
Tudo é óbvio, queridos e caros.
Caro presente, rico ausente.
Só sou feliz porque o quis.
Porque eu quis ser feliz.
Isso foi o que eu fiz.

O Amor é um vislumbre
uma ilusão.
Ele é real.
Mas não é nada disso.
Tem seu próprio sol
mesmo cego
e ainda que impreciso.
Ele é emoção
que se descarrega.
Ele é que vai e não fica.
Ele é dar e só.
Para si só
só resta bem só
o amor que felicita.

O fim verdadeiro, somos nós três,
o ego, a sabedoria e a inesperada surpresa.
Sempre haverá percalços, sempre haverá alegria.
Sempre haverá o sempre haverá
sempre haverá com e sem a certeza.
comemoremos.
comemos dormimos sonhamos
cuspimos piscamos e vemos
amamos amamos
a fantasia e a beleza
a natureza.
Um brinde ao sucesso de uma nova loucura.
Sem razões nem conflitos
Bastamos ser mitos
ser muitos
e a alegria ser pura.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

À Noite, Só.

Nas profundezas

Do meu Ser

Restam as águas

Paradas

Nas grutas inexploradas

Simplesmente me

Sinto perdido

No labirinto de túneis

Começo a me sentir

Sozinho e sei que

Isso é bom.

Sei que

Há muito medo

De viver pela primeira vez

Fora da prisão.

Que vida será esta?

Tão igual (exatamente igual)

Que pode ser ruim e boa?

Questionamentos me surgem...

Eles, eu não sei de quem são.

Faço errado?

Fim

O alívio e a alegria são constantes na natureza

No medo do silêncio que cochicha a noite inteira

O alívio e a alegria são constantes na natureza

A Natureza é o resquício de tudo de podre

Que escoa no mundo até o esgoto em si mesmo

É também o arco-íris

O metal

A maçã

E o pão.

É a faísca do instante sublime.

Eterno presente.

No medo da falta de amor se sente agonia

Na solidão constante pela família ausente

Fica congelante um dia quente.

Fim

Vejo coisas.

No início pareciam fumaça.

Há algo de ótico desajustado

E se movimentam em qualquer direção.

Parecem partes aparentes de seres a mim invisíveis.

Parecem matéria de outra matéria de outra dimensão.

Minha gata preta também os vê.

Com eles ela fica bem agitada

E eu a achar que eram moscas...

Senti vários corpos, vultos vagando.

Notei serem seres atravessando os móveis.

Vê-los, tornou-se,

Questão de coragem.

E o não querer ver foi muito forte.

O incomodar foi estremecente.

A imaginação é sempre fértil,

Mas nem sempre

Com puras águas regada.

Acho que saí do eixo.

Mas vai ficar tudo bem.

É a ausência de alguém que me faz pirar.

Mas vai dar tudo certo.

Vou dormir bem, me recuperar...

Meditar...

Tranqüilizar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vida Psicodélica

Vivo num mundo Azul onde tudo é belo. Faço; sou; respiro. As folhas falam comigo. Sou também bicho do mato, na caverna, no Psico!
Nado nas correntes de fumaça - bolhas de ar do céu intenso respiro. Meu orgulho é tanto, quase desesperado, eu saboreio cada grama do ar..
Vivo num Mundo Psicodélico.

Aqui estou. Não há aqui. Ali estive. Não houve ali. Do que restou em muito mais nada era do que aquilo que havia. Aquilo que havia jamais existiu.

Nado tranquilo,
Na minha força interna está o fogo!
Na força do vento em correntes é que me movo.
Nágua estou toda vida, água-fonte da vida física.
E dos minerais, das plantas me alimento, ervas que vieram da terra!
Algas que viraram florestas!


Vida Psicodélica!

Dos minerais dá água, o elemento terra.
Do movimento da terra, vigora o fogo.
Na maciês de seu fluir tranquilo, ar.
E na loucura, docura e frescor líquido da própria água!
Plácida e sábia. Dura e bem humorada. Ela é o seu próprio segredo.

Vida Psicodélica!

Do pomar macio, as maçãs fresquinhas.
Do frescor do mato, frutas silvestres e ervas daninhas.
No Ar. Pousados nas folhas. Insetos arquétipos de vida, pequenos robôs sozinhos.
Ar! Respiro.

Árvores têm os pés na terra.
Bebem do minério das águas. Ferro.
Fazem o melhor fogo. Âmbar!
Estalam. No frio, no escuro.
No calor translúcido da chama.

Ardem, as molécolas de lá, daquele evento, o vil incêndio.
A viril flâmula vermelha.
É sua vida, seu ser, seu isso, e seu aquilo.
É como for, é como quiser.
No encontro da próxima alteração física, é o que é.
No Respiro, a química transformadora constante da alma.
Ser é mover.
Flua gostoso, flua bem. Deslize a Vida.

Vida Psicodélica! Vida Psicodélica!

Qual um peixe, insano e direito.
Qual um boi, desconfiado.
Qual aquário, torpor colorido!
Capricórnio, erradicado.
Baleia, bicho perdido!
Raposa, belo achado!
Macaco Atropelado!
Chão partido.
Buraco.
Fim.
De um expirar.

Pé ante pé, sigo no pico!
Clico no passado ligado no canal do O Eu Me Divirto.
Notícias do Mundo Preocupações;
Pois ninguém vai ao fundo, porque nões.
Por que nões, por que sins? Tão maquiavélicos, tão Maniqueistas!
Fins do Mundo ou Mundo enfim? Cadê a notícia na revista?
O que eu ganho?
Preocupações!
Por que eu não deixo ser eu a dar a mim mesmo premiações?
Medo!
Meu medo!
De mim!

Rá!

Sou o Sol das Três da Madrugada!

Pé ante pé.
Sigo.

O que me dou? Eu sei.
Eu sei o Segredo.

Rá!

Sou o Sol das Três da Madrugada!
Sou o Sol das Três da Madrugada!
Num inspiro recém chegado!
Esfinge Sagrada!

Sou o Sol da Madrugada, Três vezes!

Rá!


Morri ou não morri?

Não sei. Não vi.
Não vi morte. Não vi vida.
Sequer existi.
Não vi o que não havia.
Não vejo o que não há.
Vi morte em tudo! Vi vida em tudo!
Em absolutamente tudo, sem excessões.
Vi a morte nascendo na vida que estava morrendo.
Sem cessar.
Vi as coisas coisando, dissolvendo-se em si mesmas,
atravessando a auto-transformação indo de si para si,
deixando de ser e vindo a ser. Esse é o nosso Estado Presente.
Deixando de ser e vindo a ser. O Estado Intermediário.

Virei pó,
Era pó.
E antes era apenas eu mesmo.
Entre o ser eu mesmo e o ser pó-eu-mesmo o transformar aconteceu. Tive um presente, vivi um momento. O que eu era, que não era pó nem mesmo eu?

O que tenho sido desde sempre, através do sempre, para o sempre?
Só uma transformação! O trânsido entre uma forma e outra, que jamais ficam, que nunca são.
Negarei o futuro, essa afirmação negativa do presente!
Negarei o passado, esse presente que dói pra passar. E não quer passar!

Pularei do muro no caso de dúvida: para o bem-vindo erro da experiência!
Provar do mesmo é ler sem entender.
A transformação não cessa, prisioneiro!
Não cessa!
Meu trato comigo, nesses momentos... únicos! Que é único!
Como o faço?

Ascendo uma vela! Para mim!
Louvai-me, Ser!
Seja eu também um Buda!
Cresça em mim a semente da consciência de Buda!
O Estado Divino!
Tenha eu a consciência búdica!
Seja eu minha realidade!
Na pureza da Felicidade!
Sem motivos!
Felcidade que não é causa ou conseqüência.
Pura Essência, energia pura, vácuo preciso.
Felicidade sou Eu, que sou o Agora, que Falo. Que Ouve. Que Lê. Que Está Consigo.
Presente! Este que sou, para mim!
Presente! Este que te digo ser tão bom!
Presente que te dou, de mim.

Agora! Só Agora! Só Agora Para Sempre! Para Sempre! Sempre! Só Agora!
Sem por quê!
Querendo sem querer,
mais do que por acaso.
O próprio Acaso!

É o Ser!

Sou o Sol das Três da Madrugada!

Estou no Topo da Roda da Vida quando os que já estiveram acima de mim estão agora abaixo, recebendo o bem que faço, bem que não me deram quando lá estiveram. Sempre há quem. Então estou sempre no Topo da Roda da Vida! De onde quero o bem delas, mostrando-lhes o uso do Poder.

Estou no Topo da Roda da Vida. Estou acima. E sou bom. Sou bom porque sou calmo e feliz. Tranqüilo, ninguém faz mal nenhum a ninguém. Sou bom e não me apego a riquezas materiais. Não vejo o corpo, sim, vejo, a expressão física do ser!, e a Alma, o Labirindo Pleno de Si.


Do Topo da Roda da Vida se vê lá embaixo, bem lá embaixo. Vê o mais pobre, o mais feio, o mais fraco. Vê o pior sofrimento com tranqüila acuidade. Vê o pior sofrimento sendo centro de luz jorrante de alivante alegria. Vê a Alegria Pura em si mesmo; sê o centro da luz que se despeja em raios. Luz Calma, Divina. Luz Santa. Águas Claras. Mão-Santa, Mão Boa. Ser Azul, tranqüilo. Feliz.
Diante do pior: Feliz!
Que se sabe a Felicidade!

Grande Segredo. De Todos.
Poucos sabem que possuem.
Muitos poucos o deixam de saber.
Pois o caminho à luz se apresenta sempre. Sem expressões físicas que a possam dizer.
Palavras, formas, formas de pensamento: qualquer obstrução está fora. Só há nessa mistura essência pura. Nessa unidade que nada mais é que o convívio. Nessa unidade não há problemas para nada.

Unidade nada mais é que o convívio.
Muitos! Na verdade, Todos! E a expressão de nenhum prevalece.
Todos existem. Todos são. Agem, comem. Ninguém sobra, ninguém tem fome, ninguém tem pressa.
No convívio pleno e saudável. É isso que se chama Convívio!
Não há outro. Só o convívio feliz é o convívio feliz.
Como poderia o convívio conflíctuo ser o convívio divino, se o convívio conflíctuo é o convívio conflíctuo e o convívio divino é o convívio divino?

Unidade Pura. Essência Calma. Ser Tranqüilo. Convívio Divino.



Onde todos são felizes, todos são felizes.

Todos podem ter a própria vida psicodélica.

Eu posso ser o Sol das Três da Madrugada.

Agora há!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sincero



Deve-se ser de todo sincero

Em todos os atos, na voz, no olhar.

O si deve ser de todo sincero

Sorrir,

sorrir de se orgulhar.


Orgulhe-se!


Olhe-se, veja-se!

Beba-se, leia-se!

Coma-se, viva-te!


O “ti” que vive em dúvida

E que tem disso certeza


Deve-se ser de todo sincero

Só saber ser sincero

Na velocidade do pensamento

Versus a do respirar

Sorrir, por dentro,

E se transbordar


Transborde-se!


Lambuze-se, seja-te!

Meta-te, queira-se!

Goza-te, livra-te!


O “ti” que não oscila

Que dentre ondas marenormes

Ereto em si se firma


Só posso falar coisas felizes

Mesmo que elas sejam tristes



terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Máxima Schillingspringerpitanguiana 4




O humor não está em fatos engraçados. Está na realidade da vida.







quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Morre, João, morre, desgraçado!


1

Ninguém é capaz de não agir assim. Parece ser justo agir. Parece... e é inevitável, é orgânico. Não sei pensar em outra solução, não sei achar que pode ser diferente. É o caminho natural. Vai ser desse jeito. As coisas vão acontecer assim, assim elas serão, assim dormirei descansado e não me incomodarei mais com isso. Assim decidido, pronto. É assim que vale a pena.

2

João vai morrer. Por tudo o que ele fez. Vou matar João. Vou cortar ele da vida. Quem nem o facão corta o bambu, extirpá-lo da existência. Porque, a sua presença, mesmo longe daqui, cheira muito forte, atrapalha os pensamentos. Ele está me esganando, agorinha mesmo, de existir. Por poder estar rindo quando fala com um cumpadi. Ele não deve rir. Ele não pode rir. Se ele está rindo agora (isso que me arde!) eu não tenho como saber.
Então ele está rindo toda hora.

3

Vou juntar algumas coisas. Ver o que faço. Se lá eu vou, tem que tomar cuidado. Tem hora, tudo certinho. E eu não sei bem de algumas pessoas. Não dá pra dar mole.
Ele é safado, o cara. Então vou ter que ser mais safado do que ele... Vai ser quando eu ver aqueles olhos sequinhos de medo. Medo mesmo... Aí vai tá igual um animalzinho. Mansinho... Acuado, trêmulo, arregado... Mas nem ter imaginado eu ali. Não vai conseguir nem ganir de medo. Engasgar de medo.
Ciente de que vai perder a vida.
Vai ser aí que eu vingo.

4

Sonhei com onda gigante. Uns trinta metros pra cima de mim, era ela. Escurecendo já tipo umas seis da tarde, e a onda verde escuro, bem profundo.
Bem na minha frente, colossal. Interminável. Fatalidade.
Sair correndo ou enfrentar – inútil. Tremi. Tentar o que fosse não me tirava debaixo da explosão que ia ser. Ficar lá, parado, suicídio.
Fraquinho o corpo. Molinho.
Ali, eternamente pasmo.
Morto já, e vivo ainda.
Ai!

5

Ainda não sei bem como é que eu vou fazer, não consigo me concentrar direito. Não consigo me concentrar em nada. Só fico matando, matando, matando. E vou só ficar matando até matar ele de verdade.
Ai tudo vai mudar.
Eu mato aquele merda e acaba. Aí eu vou ficar em paz de novo. Vou fazer tudo o que eu quero. Aí vou realizar uns sonhos aí... Porra, porque como é que posso ficar tranqüilo pra fazer as minhas coisas com esses negócios desse cara? Como é que eu posso relaxar e ser feliz? Não dá, não dá. Não dá!

6

Não dá mais pra ficar enrolando, eu vou ter que fazer de qualquer jeito esse negócio, senão isso não sai é nunca. E porque não agüento mais essas paradas que estou pensando... Eu vou matar ele! E que se dane todo o resto! Vou até lá, pego a arma e encho aquela cara de bala. Aah! Eu preciso de uma arma. Preciso de uma arma... Isso já sei até onde arranjar. Falo com o Tuninho, falo que vou matar um cachorro doente e devolvo no outro dia. Aí o Tuninho nem liga. Já vi ele fazendo isso antes...
Deve estar cheio de sangue-ruim morto por aí.
E o Tuninho achando que é tudo cachorro doente.

7

Já fui lá hoje cedo no Tunim.
Tranqüilo.
“Bota no pacote que nego não encrenca”.
Botei.
Só agora me lembrei de umas coisas do João de antes de tudo acontecer. Ele era cabra-macho sim senhor, homem firme. Com ele não tinha jogo, ou era ou não era. Porra... a gente se divertiu as pampa. Filho da puta. Só ele fazia umas paradas que ninguém mais fazia. Pra curtir um perigo com alguém, tinha que ser com ele. Senão não tinha nem graça. Até quando a gente entrava bem era maneiro. O cara sabia se virar, falava com todo mundo, sabia sempre tudo que era necessário saber. Companheiraço, o cara. Teve até a vez que encheu um aí de porrada, porque o cara falou umas besteiras de mim. Puta!, como ele chutou a barriga do cara!... Aí depois tomamos umas cervejas! Não tem como esquecer essas coisas...
Mas à prova de bala ele não é.