segunda-feira, 9 de março de 2015

Desobstrução (4.12.5)


É difícil dizer tudo que penso por causa das palavras.
Nem todas expressam com exatidão minhas idéias,
As vezes uma palavra destrói completamente o sentido
E me torna um mensageiro do desconhecido, logo eu,
Que queria entornar tantas certezas e ajudar as pessoas.

Tão difícil quanto, é pensar tudo que sinto.
As palavras nos limitam
E jamais uma idéia permanece a mesma
Até terminar de pensá-la.
O que me torna um pensador do desconhecido, logo eu,
Que queria me cobrir de tantas certezas que me fossem possíveis
E assim ajudar à humanidade.

Sentir, entretanto, é algo tão pessoal que,
Se não for meu sentimento absolutamente extraordinário,
Dotado de superioridade,
Existindo acima de todos os sofrimentos e
Apenas ligado à pura felicidade,
Então esse meu lado pessoal não passa de
Uma confusão trivial de ser humano.

E como ajudar a humanidade só com a intenção?

Prefiro não ter intenção nenhuma,
Não saber o que estou fazendo,
A conscientizar-me de minhas capacidades
E ir pro inferno das boas intenções.

Prefiro não ter que comunicar minha suposta sabedoria
Ao mundo.
Prefiro não ter que raciocinar sobre minhas idéias
Estéreis.
E estar exigindo um espaço nas terras férteis que desperdiçarei.
Prefiro não investigar sentimentos, prefiro não dar nome aos bois.
Prefiro esquecer o significado das palavras e deixar de saber que
É uma verdade que humanos sentem, pensam e falam.

Assim, se em algum momento desses eu me esquecer completamente
De que haviam sofrimentos,
E me der conta de que nunca mais precisei lembrar de nada,
Nada, digo, idéias que servissem para me animar,
Conceitos que julgava me estimular,
A moral que no fundo só me mascarava,
Então, poderei ter certeza absoluta

E não ter que decodificá-la.

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