quinta-feira, 9 de abril de 2009

Frio

O mundo gira mesmo sem mim.
As pessoas cuidam de suas vidas e porque eu teria algo a ver com isso?
Ninguém sabe o que eu sinto.
É assim que eu me sinto, sozinho, com frio.

Durmo num quarto frio, sem móveis, sem vida;
baratas;
acordo com dores no pulmão
acordo e continuo tonto
dou um gole do vinho para matar a fome
em troca de ficar enjoado.
Não tomo banho por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Sensação de poça d'água, pocilga, urubu, pentelhos, sarna.
Idéia de tudo errado.

Durmo de roupa da rua para não sujar o pijama ainda limpo na mala.
Na cama nojenta não viro pro lado por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Entretanto,...
esquece...

Se começar a imaginar o que dia-a-dia é feito naquela cama
e por quem
nem durmo.
Tão à vontade, peludas e marrons, as baratas
não quero perturbar as verdadeiras donas desse quarto.
Não me permito me sentir à vontade
numa vida que não é minha
que é em vão.

Não me permito sentir prazer
porque a dor justifica a culpa
e a culpa justifica a dor

Aonde está a minha vida?
Esta é a minha vida.

Que grita
urra
se autodestrói
e ejacula dor

De noite gritos
madrugada galos
de manhã sustos: que horas são?! Onde estou?!

O que eu fiz?!

O que está acontecendo comigo? O que está...?
O que...?
O que mesmo?
Já nem sei...

Nem mesmo das drogas eu gosto mais.
Sem ânimo,
fodido,
fodido.

O corpo cansado anda com malas perdido nas ruas horríveis do nada.
Não há nada que me agrade.
Ninguém sabe o que eu penso.
Ninguém me pergunta.

A viagem para longe, pra que, se eu vou sempre junto?
Não posso fugir de mim.

Ficar parado,
esperando tudo acabar.
Vendo que nada vai acabar.
À volta está tudo igual.
Ou seja,
nada.

Nada.

Nada.

Nada.

Quero muito uma coisa que não sei o que é.
O tempo está se esgotando.

Quero chorar
mas não tenho a menor vontade.
Seco, observo a mim mesmo observando a mim mesmo.
E isso não me leva a nada.
E a que me levaria?
No que resultaria?
O que eu quero?

Não quero mais nada.

Fatigado,
murcho,
frágil,
qual uma folha seca
que vira farelo se tocada,
Sozinho, eu não sou nada.
Nem o pior que se pode ser eu sou.
Sou pior do que isso.
Não sou tudo aquilo que sonho
para poder continuar sonhando
e ser covarde.