Sou louco!
Não por querer correr entoando um grito de celebração à vida emanado das forças da Terra em direção ao Universo, mas por não fazê-lo.
A loucura que me arrasa não é devido a vontade insana de me desfazer em partículas de felicidade arrastadas pelo vento e espalhadas sobre a copa de centenas de árvores nas montanhas. A loucura que me arrasa é devido a insanidade de levar a vida como prisioneiro da própria mente.
Quero ver quem valoriza um ato insaciável e mesmo inconcebível de marchar ritualisticamente em torno das bases naturais da existência agradecendo e louvando glórias e ruínas. Normalmente, ainda que dentro de mim isto ocorra, externamente não cabe no senso coletivo mais do que manifestações tímidas sobre eventos irrelevantes. E sempre com a pompa artificial de quem homenageia por obrigação e falsa concordância - de quem não sabe o que faz e assim não faz nada além de reproduzir qualquer coisa coercitivamente à margem de qualquer interesse real. É a humanidade morrendo.
E eu sou louco.
Quando penso em meu corpo incendiando em chamas altas, berro, urro e brado incrível poder, não malgrado nem a mim nem a vida, tampouco desejo extirpar-me ateando fogo e queimando até a morte, até porque isso já ocorre, porém sem o calor vital, sem o grito de guerra aos impedimentos do próprio ser e sem consciência de vida e de morte cada instante.
Quando penso em me diluir como fruta apodrecida na velocidade das águas de um rio, correndo e tombando, desfragmentando o ser, em um eterno vir-à-ser, penso que de meu anterior estado liberto-me, alcanço a criatividade do contato total com o planeta, com o universo, em cada onda que quebra em cada praia, em cada costa, em cada pedra.
Quando penso em encher de terra o espaço entre unhas e dedos e entupir de barro e de lama os poros do meu corpo e quem sabe adormecer enterrado sem preocupações que sejam, penso que este já é um estado intrínseco do meu ser; só não o assumo, o reconheço, soterrado que estou, de fato, por todos os dejetos pavorosos e medonhos de uma mente coletiva e confusa, como também completo este ciclo antropofágico com rigoroso regozijo e sôfrego gozo. Contumaz ao corroer da alma - cheia de mercúrio, repleta de ouro, impenetrável diamante. Imberbe, decrépito. Inqualificável.
A humanidade está mental, física e espiritualmente doente. Neste contexto, ser ou estar louco é ousar, é não respirar ares putrefatos e gases tóxicos e estar em busca de nesgas por onde escapa o puro de alívio e morte.
domingo, 22 de março de 2015
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