Se eu fizer um filho...
Darei-lhe outro nome.
Será ele outro homem
Bem melhor
Do que eu sou.
Se a coragem se acovarda
Vive em guarda
Vem gritada –
“Faço nada!”
“Faço nada!”
“Não, não!”
“Nada”,
“Não, nada!”
Quero ter por perto
O risco de viver
Não precisa ser de um jeito
Que tenha que ser.
Dentro do que eu sou não há nada
Limitado.
Dentro da razão há um homem
Apaixonado.
Desequilibrado.
.
!!!
Meu lado mulher aflora em ácido puro.
Caráter de Jacarandá,
Até Deus vai rezar.
!!!
Minha mãe querida
Que sempre cuidou de mim
Comprará revistas
Para me cortar.
Meu pai
Gozou às vísceras
Criou-me de suas tripas
Gerou-me um parasita
Para o mundo ter que me aguentar.
O Exército,
me chama à morte.
À vingança.
À vitória.
E eu
Me chamo “tudo”,
neste instante:
Ignorante,
Impermanente
Delirante
Fim.
.
.
A morte,
Se eu morrer,
Será como um mendigo
Que eu não encaro.
se viver,
Dentro do que eu sou não há nada
Limitado.
Dentro da razão há um homem
Apaixonado.
Desequilibrado.
.
.
Nem sempre
Os livros sócrates.
Nem sei se sou humano.
Se for ela,
a minha espera,
A amarei,
Como me amo.
.
.
Quero febre alucinógena
Para me livrar do raio dessa lógica
Quero uma vida narcótica
Para me aliviar de toda essa droga
Quero uma família neurótica
Para fugir do eu futuro,
Quero quebrar o relógio
Medidor de tempo perdido.
Quero estrangular minhas lembranças
Tão queridas
Meus sonhos me envergonham
Por não terem sido realizados
Serei a carcaça educada
Que aprendi a ser
No meu retiro.
Eu me retiro.







