sábado, 28 de fevereiro de 2009

Me retiro

Ah,
Se eu fizer um filho...
Darei-lhe outro nome.
Será ele outro homem
Bem melhor
Do que eu sou.

Se a coragem se acovarda
Vive em guarda
Vem gritada –
“Faço nada!”
“Faço nada!”
“Não, não!”
“Nada”,
“Não, nada!”

Quero ter por perto
A mulher que não abandone
O risco de viver
em constante desafio.

Não precisa ser de um jeito
Que tenha que ser.
O que for do meu destino
é para mim águas do rio.

Dentro do que eu sou não há nada
Limitado.
Dentro da razão há um homem
Apaixonado.

Desequilibrado.
.


!!!

Meu lado mulher aflora em ácido puro.
Caráter de Jacarandá,
Até Deus vai rezar.
!!!


Minha mãe querida
Que sempre cuidou de mim
Comprará revistas
Para me cortar.

Meu pai
Gozou às vísceras
Criou-me de suas tripas
Gerou-me um parasita
Para o mundo ter que me aguentar.

O Exército,
me chama à morte.
À vingança.
À vitória.
E eu
Me chamo “tudo”,
neste instante:
Ignorante,
Impermanente
Delirante
Fim.
.
.
A morte,
Se eu morrer,
Será como um mendigo
Que eu não encaro.
O mendigo,
se viver,
verá que a morte
sai menos caro.

Dentro do que eu sou não há nada

Limitado.

Dentro da razão há um homem

Apaixonado.


Desequilibrado.
.
.
Nem sempre
Os livros sócrates.

Nem sei se sou humano.

Se for ela,
a minha espera,
A amarei,

Como me amo.
.
.
Quero febre alucinógena
Para me livrar do raio dessa lógica

Quero uma vida narcótica
Para me aliviar de toda essa droga

Quero uma família neurótica
Para fugir do eu futuro,

Quero quebrar o relógio
Medidor de tempo perdido.
Quero estrangular minhas lembranças
Tão queridas
Meus sonhos me envergonham
Por não terem sido realizados

Serei a carcaça educada
Que aprendi a ser
No meu retiro.

Eu me retiro.

São



Finalmente são.
Dono de algo que eu nunca tive
E nunca terei.
Fiel servo da Senhora.
Vida, nunca tive
Apenas chorei fantasias.
A minha vida agora é sua.

A vida é uma puta,
que nos dá todas as oportunidades.
Nós somos os bunda-moles
rimos do que dizemos não ser o certo
Mas nós não sabemos o que é o certo.
Nem nunca vamos saber.
Só vocês podem nos ajudar a lidar com isso.
Só você pode me ajudar a lidar com isso.
Tira a minha dúvida,
Me deixe sem dúvidas.
Mas não me responda nada,
Só me diga,
sem que eu pergunte
ou pense
ou tente ser
eu,
que não existo.
Ou sei lá.
Me diga,
antes que eu me perca;
Se eu pensar, já se sabe o que será
Será que será que será?
Sei lá.
Não quero mais saber.
Quero a tua.
visão.
das coisas.
de tudo, de mim, do que eu devo ser
pois eu não me vejo, sou
totalmente cego
não - não apaixonadamente cego, não!

não vejo mais é nada.

Então não me vejo.
...uma palavra para esse sentido que procuro...
Se houver uma palavra -- e eu a poderia ter inventado enquanto tentava falar igual à gramática --,
a palavra pouco importa.
Para um idiota.
Para mim, ela nada importa.
ela não importa.
nunca.
Não fiar-se em palavras.
Elas são o modo rudimentar de comunicação entre dois ou mais seres humanos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Castigo




Incinera o Velho,
a começar pela cabeça
que é para extirpar do mundo
logo
de uma vez
essa praga.

Vamos fazer uma reunião lá em casa
vai ter comes e bebes
muita conversa
e o fogo na janelinha
do incinerador
para nos aquecer gostoso.

In Vino Veritas
In Herbam Possibilitas
Pacis Anhelus Semper
E nada mais será.
Tudo já era.
A carne estala
rasga
torce
Os convidados brindam
coçam,
tossem;
beliscam e sacodem
aliviam, esticam
A festa é linda

A parede da casa tem um buraco
Com uma gaveta
Comprida
de Cinzas



O barro guarda os farelos do velho
podre
findo o calor da carne
as chamas lambem
Faceiras
Esganadas
Vieram recolher
as pontas para não restar nada!



Extirpado.
Todos são velhos
com medo da minha casa
onde o incinero.
Deito a cabeça morta de bebê
desse velho decrépito
e
asqueroso..
no fundo da gaveta
para incendiá-la primeiro.
Sai! Não quero ver nunca mais a sua cara!
Veja que festejo o seu sumir derradeiro!
Vou me lembrar dessa data
com o ruído dos brindes
o som da música clássica
da salsa
dos sorrisos
e dos cínicos,
que,
apavorados,
se viram deitados,
por mim, derrotados e vencidos,
e em meu espelho maldito,
Justo em refletir todo o passado
escaldado no rosto pervertido
de todo meu amigo
dos que bebem rápido,
molham aliviados,
a boca seca e grudada
para saberem
ou pelo menos crerem
que ainda estão vivos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Muito Confiante, Senão Ingênuo






Gabriel
se
AMA
CEGAMENTE.
"Meus Segredos"
Ele pensa, chupando a chupeta
Escuta!, o Sêu Fraldinha!,
"Dita"
Sêu, fraldiinha,
escreve nas linhas - certinhas! -
"O seu silêncio, Mulher, é do tamanho da sua paciência"
"A sua mentira, o deboche na cara de um otário"
Que pena!... Que o obceno (Seja ridículo) Não é o amor,
Seu fraldinha
VÊ se Cresce..
Já to sem paciência.
Se eu te puxar
pq quantos caminhos pra te encontrar
E as dúvidas para você se encontrar
Enfia essa mamadeira
feita só de vento
e vê se arrota
Alguma
Erudição.
Pois ser

Zinho
Não
Tem
Música.
Os Homens executam
Enquanto elas preparam as mortalhas
Dos Sonhos dos que ficaram
São aranhas
perversas
a costurar
a húltima hora
a costurar
a primeira manhã
daquele
ser
frágil
que sente
o sol
e a grama Natural
e orgânica.
Prazeres anormais,
meu caro,
você não sabe o que tem do outro lado.
João Batista,
Eu quero a sua cabeça
João Batista
nunca me deu beijo que eu queria.
Agora danço nua
na lama
da cidade
Danço nua
e os mendigos me comem
joão batista
os mendigos que vc abençoou
João Batista
Mas eu só penso na sua boca
João Batista
Enquanto eles devoram a minha carne
Eu só quero a sua boca
Eu só quero a sua boca
eu só quero a música que ele me trás,
escondida
de noite
sem ela
eu não vivo
não respiro
não sou ninguém
pq ela me devolve a vida, joao batista,
Todos eles me devoram
Que homem santo voce é?
Sabe o que eu sou?
a Sua Salomé
Sabe o que eu sou
O teu mel no deserto.
O gafanhoto que arde na sua garganta
E é por isso que você cospe o veneno verde do sangue do inseto
por isso que você se diz santo quanto as vestes pobres
mas santo, joao batista, você não é.
Escreve, porra!
Ele vocifera todos os dias,
CARALHO.
Ele vocifera o seu fígado
e ainda quer que eu engula..
Eu renovo todos os dias
Esse órgão inútil
Sem vida
Eu dou a minha alma
e a minha língua
e os lugares mais escondidos
Dentro da boca de joão batista
Ele abençoa o filho de deus
Ele proclama
Ele se proclama aquele que antecede o salvador
Ele quer descobrir o que é ser queimado
Ele quer que todos saibam quem foi a mao que abençoou os cegos e os condenados.
"A biblia é a história de um corno?"
Mas da tua boca,
Iocanan
Chupastes.
Iocanan
é João BATISTA
"JOANA DARK FOI A MULHER QUE PERDEU A PACIÊNCIA,"
Ela diz que ela perdeu a paciência e
A crença
da língua dos soldados
que antes a seguiam
"O vicente é uma mulher"
"Ou apenas sábio"
"Ou apenas sábia"...
Come a maçã,
come
come a maçã
come...
"SEDE, AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
SEDE DE CONHECIMENTO, DIZ O HOMEM!"
Você acha, Iocanan,
"A respiração serve para ter paciencia para escutar as mulheres que nada sempre retorna?! Sou seu servo"
Eu danço e me dispo e você vocifera Vocifera Pelo medo contido Iocanan Você dorme Pelo bem retraído Não é, iocanan, "Eu", sempre perdido.
"Nossa" Ser mulher é rir para não chorar. SEDE DE CONHECI..."
não foje da sua salomé joao batista
quanto mais você me odeia
mas eu tiro os véus
recolhe agora os pedaços,
reconstrói o que você quer em mim, joão batista
eu danço
estou aos seus
pés
Mas você continua a vociferar
joao batista
"SAI!
Insana!
SAI!,
Mulher!
Minha filha, o que vai..."
O que vais pedir ao rei velho
Rei velho é homem
Eu quero a cabeça
na bandeja
"Não preciso dizer nada"
"Dita"
"Será?
O que será que será?!
Será que será?!
Mas não era só a cabeça??"
Sabe
uma cabeça
sairam
outras vidas
das outras almas
do joão batista
quem ele era
quem você é, Gabriel?
As cabeças de uma hidra?
Atenção:
Uma
É
IMORTAL
Sentirá sempre
prazer e dor
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa....................................................................
... ........ .
Sentirá que sua vida
é maior
pura
aflita
inconstante
aflita
e tranquila.
Volta Artista
Volta a pintar
volta querer a tua vida
de volta
Que te escutem mesmo no deserto
Que te escutem os desgarrados
as putas
os nobres
AAAAAAAAAAAAAAAAAhiiiiiiiiii
...
Tudo..
"Eu acho que nunca uma desistência foi tão boa
Tão saudável!"

Ta desistindo do que,?
Gabriel.
"Há, há...
De mim!"

...

Você só me ama se você tiver sobr efeito narcótico?

..

..

..

Quieta!
Cachorra!
Budismo acalma os cães!
A quem pertence, Salomé?
a si mesma, eu sou a voz que clama do deserto.
Mas da tua boca, Iocanan
vem a salvação
Então eu vou te purificar, Salomé,
com a calma, a paciência, a impermanência, então
Iocanam,
me deixe
Jamais serei
a tua pomba saída das águas tranquilas sou isso o que vês
VÊ, iocanam?,
os pedaços mordidos, esquecidos, desejados, impermanentes,
da minha carne,
Iocanan?
Vê que não temos todo o tempo,
Iocanan.,?
Então deita em cima de mim,
Porque não temos
O necessário.
Sou putrefato.
Amanhã já não verás.
O que te devolvi
Da minha cama
Se o Profeta tivesse
Me deixado deitar
Eu de bom grado o teria
deixado ir...






O marinheiro bêbado pobre
velho,
sentado no chão
que vai comer teu cu.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Sol das três da madrugada


De cabeça lavada
E boca aberta
Para a imagem do ser eloqüente
Às gargalhadas
para você sabe quem
no topo da testa
vê sem imagens
a vida que sente
de quem sempre
se acaba.

Uma linha de desvios
Um sinal aberto
Para a morte
O símbolo da inquietude
A vontade súbita
de nada.

Sim,
Sou o Sol das três da Madrugada.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Exaltado



Me sobe o sangue, infla o pulmão

Não penso, só falo, os olhos arregalo

Vitoriosamente louco, prisioneiro solto

Manifesto a raiva e o amor pelo que digo

Meus instintos eu sigo, meus impulsos são puros

E se os gritos são nulos, então não fiz nada

E minha alma exaltada fugiu do equilíbrio

Aderiu ao extremismo e se contradisse

O descontrole que tive me foi sofrimento

E o momento seguinte, só nostalgia

Perdi energia, estive errado

Morri acabado, exausto, sem força

O sangue ebuliu, depois congelou

Minha voz agrediu, minha esperança era pouca

Minha razão, talvez certa, expressava-se cega

Sozinho ou com todos, era meu o motivo

Quanto mais eu ataco, maior é o perigo

E se fico calado, preservo minha imagem

Se coragem é muita, então desafio

E se rio do passado, qualquer coisa aprendi

Um dia exaltado...

Coração descontraído, um dia se ri

E se me ver estendido, com um belo sorriso

É porque eu morri.



20/10/2003

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Agradecimento

Eu agradeço à existência, por existir.

Não sei como seria não existir, mas sei que enquanto ser existente sou muito feliz.

Não sei se há algo além da felicidade, algo ainda maior, melhor e mais livre,

Talvez haja, e talvez seja isso que eu vivo.

Algo maior que a felicidade.

Aquilo que me parece ser o mais alto ideal, eu concebo, tão plenamente, e vivo...

Não me falta nada, não reclamo de nada.

Não tenho pressa.

Agradeço não sei a quem.

Ou à que.

Ou, se tudo depende de mim, à mim.

Não sei, e não me incomodo.

Tanto faz. Está sendo bom.

No dia-a-dia, entre as picuinhas

Falo, reclamo, praguejo, xingo

Invento, amaldiço-o

E pareço tão infantil.

Porque sei que isso tudo é brinquedo de criança

Enquanto o ser maduro em mim abençoa todas as pessoas

Caminha sorridente, leve

Alegre

Perdoa a tudo

Ama cada pedacinho

Da vida

Tão traumática

Dramática

Aterrorizante.

Ama os percalços

As ziguiziras

Os piriris

Os obstáculos intransponíveis

Porque acredita em impermanência

Se o muro não cede, eu cedo

Se eu não cedo, o mudo cede

A vida vai sempre em frente.

Os passarinhos voam

O céu é imenso

Janelas urbanas, cada uma pequena tela indiscreta da vida rudimentar de seres cheios de meios, aparelhos, botões e máquinas,

Tudo é tão fácil para esses seres modernos que não usam mais clavas

Mas que odeiam ainda,

E brigam por qualquer coisa

Que é ridículo.

Somos exatamente os mesmos, de roupas sempre novas.

As pessoas demoram para ser felizes.

E se libertar

Agradeço por ser assim

Agradecer, isso é o meu instante presente eterno

Me resta ser um fofoqueiro espiritual.

Inimigo das seitas secretas

Das maçonarias

E dos grupos fechados

Étnicos, culturais, genéticos, econômicos

À todos odeio, com a força da minha compaixão.

Isto é, os abençô-o.

Vejo as diferenças, discordo, não gosto, me revolto,

Tudo num único instante.

Vejo que são homo-sapiens de roupas novas

Tristes

Infelizes consigo mesmos

Tentando de todos os jeitos errados serem felizes.

À base da ignorância

À base da segregação,

Do mau uso do poder,

Do uso do dinheiro.

E da manipulação.

Coitados.

Ainda sofrem.

Fervorosos cantam suas diferenças como se as defendessem do fim vigente.

Com medo do diferente.

Com medo do próprio futuro.

Mutável.

Incessante.

Apegados, morrem, instante por instante.

Envelhecem na sua frente, a cada comentário racionalmente embasado.

Não se contradizem.

Morrem.

Perpetuam para dentro de si sua religião... E daí?

Deu no que?

Desapegado, nasço, instante por instante.

Rejuvenesço na sua frente, a cada quebra de certeza.

Pra mim é tudo novidade, sempre.

Vivo.

Eu é que, de fato, vivo.

Perpetuo através dos que me vêem o meu hábito estranho

Ser feliz sem motivos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Máxima Schillingspringerpitanguiana 5

A Regra e a Quebra da Regra.
Eis a Regra da Vida.
Uma Regra que concebe a Quebra
De si mesma, tomando isso como Regra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Meu Bem

Pornoético
Pornoépico
Pornoácido
Pornoártica
Como você é fria, meu bem
Pornoóptico
Você é que não enxerga nada
Pornoantropológico
Vai ao zoológico,
Assiste
E aprende
A fazer
O que a natureza manda!
Seu anta!
Lerdo!
Picalesma!
Goiaba!
Bichada, até quem sabe?!
Esponjosa,
Viril? Há, há, há, há, há!
Ridículo!
Isso sim ô bundudo!
Formigão!
Tem nego até que te olha!
Vai ver que tu até que se molha
Da tua piroca
Pornocópia
Da Cornocópia
Microscopica
Power Point
Que nem liga
Nem nada.

Fica com a tua punheta
Bate, bate, até rasgar
Essa pica de merda
Só não vai é se matar
De tanto gozar
Sozinho no quarto.
Sem ninguém.

Você devia ter nascido mudo
Ou mulher
Para ver como é
Ser tomada
Por um macho
Nada mais que idiota.

Meu bem.

Dia há Dia



Minha vida é azul,

Amarela também.

Tem verde, bastante;

A minha vida é como a de ninguém.

E a minha vida é como a de todo mundo

Abunda de compaixão

Afunda em absorção

E diz amém.


Sou Mestre de mim,

Comando a verdade.

Planto aipim

Colho na idade

Utilizo todo tipo de erva

Nas poções pelo fogo exaladas

Fumo as essências de outro planeta

No cachimbo da ilusão perdida, achada

Entro em estados profundos da existência

E a minha vida é como a de todo mundo

Abunda da experiência

Abunda de fraternidade

(Abunda) de riquezas também

E diz amém.


As pessoas são tantas,

Tão interessantes!

Pesquisá-las, todas!

Cada uma a seu devido instante.

Absorver-lhes a loucura

Emergi-los de si

Trazer pra própria casa

Criar um saci

Ouvi-los todos, criar um monstro!

Que eu mostro pra Deus

Que eu quebro o espelho!

Me liberto de mim!

Rasgo em vermelho!

Mato o capim!

Arranco a raiz!

Esmago a matriz, a semente, o sumo

Engole a polpa no gole, meu amor,

Que é vitamina!

É energia também!

Diz amém.


Amo a música!

Amém!

Furo as ondas!

Amém!

Subo nas árvores!

Amém!

Senhor!, quer que eu carregue as caixas?

Senhora, quer que eu abra a porta?

Madame, quer que eu carregue a senhora?

Senhorita, levo suas frutas para minha mesa?

Lavo-as e chupo-as?

Sorvo-lhe

Beijo-lhe a nuca

E como de surpresa

Como-a de sobremesa?

E louva-me a mim, tu também?

Amém!

Amém!


Aleluia!


Abre a boquinha, engole a hóstia

Dessa alegria tão bonita e sem fim

louva-me a mim, louva-me a mim

assim, de joelhos, assim, assim

Amém!!!

Aleluia!!!


Glória aos céus!

Vivo eu nessa pajelança

Deuses me escutam

porque eu sou criança

Acredito no mundo

Fundo! Fundo!

"Ó Senhor, és comigo tão misericordioso"

Vou tirar minhas roupas e andar nu pelos campos

"Tão tesuso, tão gostoso"!

Vou andar por aí...

Eu posso ser o que eu quero.

Posso falar doce

Posso fazer Milagre

Posso andar por aí!


Minha Lei Divina

É você, tão feminina

Ó Vida, Mulher, Ó Natureza!

Senta e põe a mesa!

Agora eu quero comer.

Ser farto e glorioso

Dar glória aos céus

Porque sou criança

E acredito no mundo

Desnudo seus véus

Respiro as brisas

do rio entre suas montanhas

E sinto tão puro

O Ser que se convence de si

De ser o próprio prazer.

Uma substância translúcida

Escorre secreta e tímida

Da sua fantasia

Para a minha alegria.


A-le-luia!

Saravá!, Afinal...

Louvemos o Senhor,

Que vos falo

em um estado

enrijecido

vos falo

no ouvidinho

na orelhinha

ó, ó....

ó, querida ovelhinha...

"mééééah"!

Baliu?

De prazer?


Viver é tão bom!

Adoro!


Vamos elevar o nosso pensamento!

Fumar maconha

E se preocupar com as vírgulas.

Beber muito mel!

Direto da fonte

Dentre as montanhas

Deitar no mato e recitar epístolas

Anunciar boas vindas

Aos invadidos

Aos desregrados

Aos sem batismo

Aos desvalidos

Pobres suorentos

Pseudos

Mendigos


Amém.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dia

Eu sou o andarilho
contente.
Capa e cajado
em frente.
Sempre eu vou
adiante.
Ando no passo
do passo instante.

Da minha bagagem pouco mantive.
Da minha coragem nada retenho.
De cima da ponta do pico do precipício
canto e danço, choro e rio.
vou e venho.
Calmo assisto a mudança.
louco levito e pouso
sábio vislumbro a nuância.
da flor que encanta
da pena que balança
do vira-latas
dos espinhos.
certeza que cansa.
dúvida eu tenho
e nela resisto
saber o risco
de não saber que não existo.
e saber que encanta
não saber como canta.

Em mim reside pleno poder.
Sou deus, sou diabo
sou dono do meu pedaço.
transformo, consumo, amasso.
Vejo por trás de você aquilo nem você vê.
Digo um conselho numa ordem num fascínio num choque.
Queimo, incendeio, conquisto a sorte.
De cima sou visto mais e por mais.
Ensino a dureza de que se é capaz.

Trago.
Inspiro.
Almejo.
Carrego comigo a vontade.
sete vidas em uma
unidas por íntegro caráter.
Luas, estrelas, esfinges
cidades, castelos, coragem.
Carrego minha cruz
à passeio
me honro em cumprir
sempre ínclito
todas as necessidades.

Um gesto macio
de puro equilíbrio
eu mostro que rio
sem tensão nem alívio
apenas demonstro a sua igualdade
no rosto inverso da sua verdade.

Nasci, sou feliz.
O que se diz, se sou feliz?
Eu sou feliz, o que me diz?
O que eu fiz?
o que ainda não fiz eu vou fazer porque já fiz.
Tudo é fácil, tudo é claro
Tudo é óbvio, queridos e caros.
Caro presente, rico ausente.
Só sou feliz porque o quis.
Porque eu quis ser feliz.
Isso foi o que eu fiz.

O Amor é um vislumbre
uma ilusão.
Ele é real.
Mas não é nada disso.
Tem seu próprio sol
mesmo cego
e ainda que impreciso.
Ele é emoção
que se descarrega.
Ele é que vai e não fica.
Ele é dar e só.
Para si só
só resta bem só
o amor que felicita.

O fim verdadeiro, somos nós três,
o ego, a sabedoria e a inesperada surpresa.
Sempre haverá percalços, sempre haverá alegria.
Sempre haverá o sempre haverá
sempre haverá com e sem a certeza.
comemoremos.
comemos dormimos sonhamos
cuspimos piscamos e vemos
amamos amamos
a fantasia e a beleza
a natureza.
Um brinde ao sucesso de uma nova loucura.
Sem razões nem conflitos
Bastamos ser mitos
ser muitos
e a alegria ser pura.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

À Noite, Só.

Nas profundezas

Do meu Ser

Restam as águas

Paradas

Nas grutas inexploradas

Simplesmente me

Sinto perdido

No labirinto de túneis

Começo a me sentir

Sozinho e sei que

Isso é bom.

Sei que

Há muito medo

De viver pela primeira vez

Fora da prisão.

Que vida será esta?

Tão igual (exatamente igual)

Que pode ser ruim e boa?

Questionamentos me surgem...

Eles, eu não sei de quem são.

Faço errado?

Fim

O alívio e a alegria são constantes na natureza

No medo do silêncio que cochicha a noite inteira

O alívio e a alegria são constantes na natureza

A Natureza é o resquício de tudo de podre

Que escoa no mundo até o esgoto em si mesmo

É também o arco-íris

O metal

A maçã

E o pão.

É a faísca do instante sublime.

Eterno presente.

No medo da falta de amor se sente agonia

Na solidão constante pela família ausente

Fica congelante um dia quente.

Fim

Vejo coisas.

No início pareciam fumaça.

Há algo de ótico desajustado

E se movimentam em qualquer direção.

Parecem partes aparentes de seres a mim invisíveis.

Parecem matéria de outra matéria de outra dimensão.

Minha gata preta também os vê.

Com eles ela fica bem agitada

E eu a achar que eram moscas...

Senti vários corpos, vultos vagando.

Notei serem seres atravessando os móveis.

Vê-los, tornou-se,

Questão de coragem.

E o não querer ver foi muito forte.

O incomodar foi estremecente.

A imaginação é sempre fértil,

Mas nem sempre

Com puras águas regada.

Acho que saí do eixo.

Mas vai ficar tudo bem.

É a ausência de alguém que me faz pirar.

Mas vai dar tudo certo.

Vou dormir bem, me recuperar...

Meditar...

Tranqüilizar.