terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Sobre os macacos
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Sou?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Enfia!
Quem sou eu?
Quando a conheci...
Se esvai
Difícil adeus
Agora não rio, que você me aparece na ponta do meu sorriso.
Se eu quiser ser feliz, vou ter que te perdoar,
ainda não entendi direito o que foi que aconteceu entre nós dois,
Se eu quiser ser feliz, vou ter que me aprofundar em mim
e me assustar com tudo aquilo de bom...
e me assustar... novamente...
até ser feliz, livre e feliz,
talvez louca e feliz, talvez só e feliz,
mas melhor do que isso aqui,
por favor!
Depoimento
Nome: Sr. de Alencar
Chame apenas de Alencar, pois é o que me difere do resto imundo da humanidade. Sim, sou triste, sou frustrado. Esposa jaz morta há 30 anos e eu com 69 resisto em acreditar que a vida é boa. Uma ova! Mentira! Comecei assim dizendo para terem idéia de como sou: um falso cidadão numa falsa sociedade. Esperanças? De me processarem, já fiz tanta coisa ilícita, dei até pista pra me pegarem. Monotonia. Uma aventura agora cairia bem - digo desde jovem, quando arrumava confusão com todo mundo, louco pra reagir e mostrar que eu tinha razão em alguma coisa. Agora o que custa dar um tapa na bunda duma dama - de classe - nos corredores chiques dum teatro caro? Um tapão! Tumulto, gritos, escândalo, indignação, ameaças e risos - meus, é claro. Rir pra não chorar. Exemplo do que cabe a um velho louco, nunca fiz, pra minha maior frustração.
Volto do escritório sujo e velho, repleto de estagiários retardados e incompetentes - jovens sem desejos de prosperar na vida; pego um ônibus também sujo, também velho, cheio de sovacos, eu sufocado, dor de cabeça, corpo fraco, pulmão cansado, pele seca tal qual meus olhos; chego num apartamento pequeno (o terceiro em 2 anos, visto que a cada dia preciso de mais remédio), em Copacabana, onde divido, num prédio medíocre de 10 apartamentos por andar, o meu, o 307, com o ensurdecedor barulho das brigas, dos carros, dos latidos e com a presença inevitável e constante de animais, como o síndico (que insiste em achar que sou eu que ligo alto o rádio que nem tenho), algum cliente desesperado (nunca dei meu endereço a ninguém), os ratos e as baratas. Mas moro lá só eu - sujo e velho.
Não sou feliz nem finjo. Não sorrio pros outros nem dou bom dia a ninguém. Durmo com vontade de chorar. Só não choro porque aí seria o fim: só se lamentam as perdas e as dores e eu já sou a ruína derradeira da minha vida. Quem choraria por mim? Querer receber um agrado na cabeça e nos cabelos já deitado, alguém que me cobre, apaga a luz e continua acordado, me deseja boa noite, sorri e sai do quarto no escuro, proprietário dos problemas de adulto que desconheço aliviado, mesmo estando velho e caquético, me seria um conchego sem fim e aquela sensação de criança de que haverá algo novo e gostoso para se descobrir amanhã.
16 de Abril de 2004
O Tiro que dei
Eu não tenho nada pra falar.
Hoje é um dia mudo.
Hoje é um dia surdo.
Quando eu ando pelas ruas
O céu está todo nublado
E a sensação que tenho
É a do ar estar pesado
Apesar de ter gente e carros
Apesar de ter carros e obras
Apesar de ter obras e gente
Apesar de ter até tiros
Não os ouço. É tudo silencioso.
Dá a impressão de que estou numa sala - silenciosa
Com o cadáver da minha vítima
Estendido no chão na minha frente
E eu sentado o dia inteiro
Contemplando o tiro que dei.
Poemerdinha
Minha mente vazia
Não pensa em nada.
Minha bunda em cima
Da privada faz força.
Abro a rosca
Sobre a água
Essa água parada
Onde não há mosca.
Neste momento ponho pra fora
Todas as cargas de um dia inteiro.
A flor do intestino
Também é a flora
De um corpo que murcha
Neste banheiro.
A entrada é na boca.
Meu corpo está nu.
E para os líquidos
Há outra saída.
O cocô que escorrega
lambuza meu cu.
Acerto a mira
Quando atiro com a pica.
Senhorita Puta
Olá, Srta. Puta!...
Eu... não me tornaria jamais cego à sua existência e à toda imundície que retumba e se relambe à sua volta. Não. Nada a lhe contrapor.
Mas existem poucas coisas úteis que posso mencionar a seu respeito, que valham a pena lembrar. Nada, porém que a torne valiosa para mim, da maneira como tudo e todas as coisas de certa forma tem o seu valor. E se houvesse seria melhor não mencionar. O melhor seria negar tudo isso.
Vim aqui para cobrar-lhe serviços. Sei que não faz sexo por amor há muito tempo.
Eu também não.
Por isto estou aqui. Sinto falta de trocar sentimentos de paixão...
Não quero experimentar o prazer artificial de penetrar por dinheiro!
Fique tranqüila: vou pagar o seu preço, mas
mesmo assim o que eu quero
é apenas passar a mão em seu pescoço,
acariciar seus ombros
olhando em seus olhos,
enquanto falo palavras sinceras.
Você não as ouve ou não as compreende. Também estranha essa atitude inusitada.
Essa é uma atitude desesperada, Srta. puta!
O amigo que veio comigo não entende disso.
"É só curtição"- ele diz. Isso não seria curtição jamais para mim.
Isso é vazio.
Eu choraria. Mas não ouso tentar, porque não resolve problemas.
A beleza não importa.
O cheiro não importa.
A posição não importa.
Se quiser me satisfazer pela metade, masturbo-me. É tão fácil, tão prático.
Mas o problema continua a atormentar-me,
sendo a ejaculação solitária, o choro da minha alma apaixonada.
Para resolver o problema por inteiro não existe preço. Não existe tempo nem sorte.
Não existe o próprio problema se não quiser. Resolva-se na rua. Paga-se.