sexta-feira, 13 de março de 2009

Salmo

Feliz aquele cuja ofensa é por si mesmo absolvida,
cujo pecado é desencoberto.
Feliz o homem que a si mesmo não atribui perversidade,
e em cujo espírito não há fraude.

Enquanto calei, meus ossos se consumiam,
o dia todo rugindo,
porque dia e noite a minha mão
pesava sobre mim;
meu coração tornou-se um feixe de palha
em pleno calor de verão.

.

Confessei a mim o meu pecado,
e minha perversidade não me encobriu;
eu disse: "Vou a mim mesmo confessar a minha perversidade!"
E eu mesmo absolvi a minha perversidade,
perdoei o meu pecado.

.

Assim, todos suplicarão a si no tempo da angústia.
Mesmo que as águas torrenciais transbordem,
jamais me atingirão.
Eu sou um refúgio para mim,
eu me preservo da angústa
e me envolvo com cantos de libertação.

.

Vou instruir-me indicando o caminho a seguir,
com os olhos sobre mim, eu serei meu conselho.

Que eu não seja como o cavalo ou o jumento,
que não compreende nem rédea nem freio:
devo-me avançar para domar-me,
sem que me perca de mim.

São muitos os tormentos daquele que é cruel consigo mesmo,
mas o amor envolve quem confia em si.

Alegro-me em mim, justo, e exulto,
dou gritos de alegria, todo de coração reto.
E sei que "eu" não existe.

4 comentários:

Gabriel Springer Pitanga disse...

Deus pode até existir.
Mas não creditemos a ele a responsabilidade por nossos próprios atos.

Gabriel Springer Pitanga disse...

Deus existir ou não, não é uma questão importante: uma questão importante é se fazemos aquilo que depende de nós e que isso seja um bem. Feito isso, quem precisa de "Deus"?

Priscila disse...

Culpa é um troço que não serve pra nada; só pra pessoa se culpar. Prefiro responsabilidade. Ninguém tem que sofrer por ser responsável por algo; só agir. Culpa é uma sentença algo pesado e nada construtivo. Quando a gente faz M, o negócio é recomeçar, admitir que errou (nem sempre é fácil), partir do zero, e não da culpa.

Gabriel Springer Pitanga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.