sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Castigo




Incinera o Velho,
a começar pela cabeça
que é para extirpar do mundo
logo
de uma vez
essa praga.

Vamos fazer uma reunião lá em casa
vai ter comes e bebes
muita conversa
e o fogo na janelinha
do incinerador
para nos aquecer gostoso.

In Vino Veritas
In Herbam Possibilitas
Pacis Anhelus Semper
E nada mais será.
Tudo já era.
A carne estala
rasga
torce
Os convidados brindam
coçam,
tossem;
beliscam e sacodem
aliviam, esticam
A festa é linda

A parede da casa tem um buraco
Com uma gaveta
Comprida
de Cinzas



O barro guarda os farelos do velho
podre
findo o calor da carne
as chamas lambem
Faceiras
Esganadas
Vieram recolher
as pontas para não restar nada!



Extirpado.
Todos são velhos
com medo da minha casa
onde o incinero.
Deito a cabeça morta de bebê
desse velho decrépito
e
asqueroso..
no fundo da gaveta
para incendiá-la primeiro.
Sai! Não quero ver nunca mais a sua cara!
Veja que festejo o seu sumir derradeiro!
Vou me lembrar dessa data
com o ruído dos brindes
o som da música clássica
da salsa
dos sorrisos
e dos cínicos,
que,
apavorados,
se viram deitados,
por mim, derrotados e vencidos,
e em meu espelho maldito,
Justo em refletir todo o passado
escaldado no rosto pervertido
de todo meu amigo
dos que bebem rápido,
molham aliviados,
a boca seca e grudada
para saberem
ou pelo menos crerem
que ainda estão vivos.

Um comentário:

LNabuco disse...

Eloquente e cruel...
A história de si mesmo recontada em detalhes sobrenaturais.Uma inspiração que é uma porrada única,marreta de ferro para explodir conceitos...
Nada aqui te poupa.E você vira o espelho na tela de todos nós...
Brilhante!!