terça-feira, 26 de maio de 2009

Louco Perseguidor

Uma fonte forte estrebulha atrás de mim,
correndo, tropeçando, levantando, queixo aberto, abelhas zumbem
levanto, corro, corro, escorro, suo
mergulho,
gelo, dor, pele rasgada
vômito de palavras pesadas, rasgadas
estouro da marreta no crânio inimigo louco
que corre
frios
calores
na barriga,
bate o coração na nuca,
nos ouvidos,
veias pulsam
pescoço,
corro,
suo,
pélo,

Subo desesperado no pico do morro,
agarro o chão de terra com a unha
aberto o joelho
suo
não sinto a dor
subo
ofego
puxo
agarro
corro

o mais rápido possível é muito devagar

acordo, suo
corro
não sinto a dor
corro
durmo
rasgo
suo
pélo
rasgo
pulo

queimam os pés
ardem as unhas cheias de terra
rasgo o tecido da comida cheia de vazio
suor e
um cheiro de oculto

Há algo,
há algo,
oculto

Insano,
massacro,
estico
rasgo
espeto,
risco,
mastigo
suspiro,
transpiro,
inspiro,
expiro
mergulho
na fumaça.

Me entorpeço de súbito.
Lugares sem nada.
Não lembro.
Não vivi, não estive.
Memória seletiva.
Vivências esquecidas, ocultas.
Sem a menor experiência vivida,
acordo,
cançado.
Fecho os olhos e volto.
Para não sei-onde.
Louco perseguidor.

Um comentário:

Esmeralda disse...

Uau,
li por acaso, o acaso não há, vi uma fuga, que dela, você usa as palavras mais difusas.

Me amarrei