sexta-feira, 13 de março de 2009

Mini-glossário Jaboatão: "Deus"

"Deus": ser imaginário concebido como instrumento para a imposição da vontade de poucos sobre a vontade de muitos. Cada indivíduo é movido por seu desejo de afirmar a própria vontade, do que surge o conflito entre as múltiplas e divergentes vontades individuais. Se alguns poucos quiserem impor sua vontade a todos os outros, a força física será insuficiente: é necessário um método que faça com que todos os outros ponham voluntariamente sua vontade a serviço da vontade daqueles poucos. Esse método é o engano. A vontade de alguns poucos é apresentada como se fosse uma vontade universal, dotada, pois, de uma legitimidade universal, acima das vontades individuais, ainda que de muitos. A ingênua aceitação dessa suposta vontade universal implica na submissão voluntária, que a ela se faz, da vontade individual, sem necessidade do uso da força física, que fica reservada para a intimidação e a punição exemplar de recalcitrantes e transgressores. A essa imaginária vontade universal, sob a qual se disfarça a vontade dos poucos que a manipulam, deu-se o nome de "Deus", o suposto criador único do universo, a quem todos supostamente devem obediência. A chamada religião monoteísta, portanto, se constitui num mero artifício político-ideológico, concebido para proporcionar a dominação de muitos por poucos. A árvore do judaísmo, e seus ramos, o cristianismo e o islamismo, são exemplos históricos da grande farsa do monoteísmo. Notavelmente, no livro do Gênesis, o chamado fruto da árvore da ciência do bem e do mal tem seu consumo proibido pelos Elohim (pelos deuses, no plural), porque permitiria ao ser humano tornar-se semelhante a "nós", isto é, ciente da farsa do "Deus único".

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