
Hoje tudo que é verdadeiro demais é suspeito.
Duvida-se daquilo que se vê.
Verdadeiro demais?
Ou é verdadeiro ou não é.
As manifestações de tudo são tidas como irreais, falsas, pretensas;
E o ponto de vista que se tem para se conceber isto é somente o próprio.
"Posso ter certeza de ser o melhor de todos e de que tenho a razão?"
Pior que posso.
"Posso confiar na minha visão das coisas?"
Ela é única, porém minha visão das coisas existe no mesmo plano de limites em que todos aqueles que na minha concepção existem tem também para si cada um a própria concepção das coisas.
"Ainda assim considero-me acima dos outros e sabedor de todas as coisas."
Concebemos a existência e não a aceitamos ao mesmo tempo.
É verdadeira a sua existência, por mais que não se explique.
A explicação seria infinita, poderia começar e acabar em qualquer momento, ter por base qualquer coisa e justificar-se a seu bel prazer sempre sob seu próprio critério.
Por exemplo, uma discussão hipotética:
Quem acha que o efeito da maconha é o de emburrecer, está incutindo aí o seu maior medo, que é o de emburrecer. Aquele que teme emburrecer concebe essa possibilidade poir si mesmo! Naquilo que a sociedade em questão concebe como objeto cabível de descriminação, esconde suas vergonhas. A repulsa e o apego são um só. Odeia a maconha, mas odeia admitir que tem medo de ficar burro ou de evidenciar sua burrice.
Já quem fuma e concorda que fumar emburrece é de fato um burro.
Contudo, para toda esta questão ser inteiramente iluminada, precisaria haver um estudo sobre a concepção de burrice, pois o que um vê como desprendimento dos problemas materiais ou existenciais o outro entende como fuga da realidade. Não obstante, quem vê a(s) coisa(s) como sendo má(s), concebe continuamente a maldade e ainda lhe atribui aos outros. Crê estar protegido na distância que cria entre si mesmo e aquilo que repele. Seu discurso é o da repulsa aos objetos e conceitos eleitos para expiar seus próprios medos, ao mesmo tempo repete o tema e o enxerga demasiadamente em tantas coisas, jamais interconectando-se genuinamente. Quem vê o mal nas coisas tem o mal nos olhos.
Enquanto isso, aquele que manifesta um estado tranqüilo nada precisa justificar. O que há é repouso, falta de dúvidas, escassez de ansiedade, alívio e pureza. "A vida é uma poesia e nada pode me tocar. Isto faz de mim alguém que desconhece a verdade da doença, da velhice e da morte? Torna-me alheio a algo?"
Estamos vivendo a futilidade macro e microscopicamente, dando atenção a esses conteúdos , lendo, comentando e disseminando. Contradição: Julgamos inofensivas nossas atitudes particulares, mas não é sem cada um de nós que o todo é formado? Na verdade, o que sentimos, pensamos e fazemos reverbera o que somos pelo mundo e retorna a nós como o mundo em que fazemos parte.
Ou seja, somos exatamente aquilo de que reclamamos.
Somos a fonte da nossa insatisfação.
Concebemos aquilo que nos incomoda.
A verdade é evidente a todo instante, na verdade só ela é que existe. A mais pura verdade, seja lá qual for. O que for é. O que não for também é.
Conclusão: é tudo obra da nossa mente que é totalmente livre e sem limites para criar inclusive seus próprios limites. A fantasia vai até onde você se deixar fantasiar.
E a verdade é apenas isso.
É a minha imaginação.
É a solidão do “eu” que não quer admitir a própria insubstanciabilidade.
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