Olá, Srta. Puta!...
Eu... não me tornaria jamais cego à sua existência e à toda imundície que retumba e se relambe à sua volta. Não. Nada a lhe contrapor.
Mas existem poucas coisas úteis que posso mencionar a seu respeito, que valham a pena lembrar. Nada, porém que a torne valiosa para mim, da maneira como tudo e todas as coisas de certa forma tem o seu valor. E se houvesse seria melhor não mencionar. O melhor seria negar tudo isso.
Vim aqui para cobrar-lhe serviços. Sei que não faz sexo por amor há muito tempo.
Eu também não.
Por isto estou aqui. Sinto falta de trocar sentimentos de paixão...
Não quero experimentar o prazer artificial de penetrar por dinheiro!
Fique tranqüila: vou pagar o seu preço, mas
mesmo assim o que eu quero
é apenas passar a mão em seu pescoço,
acariciar seus ombros
olhando em seus olhos,
enquanto falo palavras sinceras.
Você não as ouve ou não as compreende. Também estranha essa atitude inusitada.
Essa é uma atitude desesperada, Srta. puta!
O amigo que veio comigo não entende disso.
"É só curtição"- ele diz. Isso não seria curtição jamais para mim.
Isso é vazio.
Eu choraria. Mas não ouso tentar, porque não resolve problemas.
A beleza não importa.
O cheiro não importa.
A posição não importa.
Se quiser me satisfazer pela metade, masturbo-me. É tão fácil, tão prático.
Mas o problema continua a atormentar-me,
sendo a ejaculação solitária, o choro da minha alma apaixonada.
Para resolver o problema por inteiro não existe preço. Não existe tempo nem sorte.
Não existe o próprio problema se não quiser. Resolva-se na rua. Paga-se.
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