conotação
1. Dependência que se nota entre duas ou mais coisas.
2. [Linguística ] Sentido mais geral que se pode atribuir a um termo abstrato , além da significação própria.
Diz-se conotação a impressão que temos e que damos às coisas.
Dá-se ao macaco o significado que quiser e indiferente à conotação que se dê a ele ou que se tenha dele, ele existe para-além da forma de percepção.
Enquanto os conceitos são compartilhados entre membros de um grupo capaz de formar conceitos e compartilhá-los e, havendo vários grupos e subgrupos e inter relação entre todos, cada pessoa, em sua mais profunda intimidade e no âmago de seu ser encontra sua própria verdade sobre o macaco.
Uns assombram-se, outros o admiram. Por vezes o macaco é o conceito que se faz, por outras é a impressão que se tem. Todos concebem para si um macaco em relação ao conceito que se tem a partir de si mesmo sobre o macaco. E o macaco não é a concepção que se faz, mas a concepção que se faz de si mesmo em relação a ele.
Em ambas as ocasiões o tempo transforma todas as formas e as abstrações fluem descaracterizando o existir que tende continuamente à novas formas e abstrações derivadas sempre da consciência iludida em si mesma enquanto ignora que tudo é vazio de substância própria.
Sendo o tempo um agente transformador no qual se esvai tudo que por ele passa, a realidade é momentânea, nasce e morre num único instante. Num único instante o existir e o não existir. O macaco é vazio de substância própria. A mente é vazia de substância própria. O vazio é vazio de substância própria. Conceito é vazio de substância própria.
A existência corre como um rio que escorre nos sulcos da terra e transpassa as pedras: aparentando ser uma coisa, ele está em plena e evidente transformação; não é o que aparenta, nem o que não aparenta. Observar o rio ou fazer qualquer observação de qualquer coisa é algo que existe a partir de um ponto conceitual que da mesma forma atravessa o tempo, transformando-se continuadamente, jamais permanecendo igual dentro da Lei da Impermanência. São muitos e infinitos os rios que aparentam ser o mesmo e ele não é nenhum deles. Existe e inexiste.
Assim, uns concebem o macaco como algo negativo, que comparado ao homem é inferior, "está a um passo atrás’’ na evolução das espécies, tacanho e primitivo, um rascunho de ser humano.
Outros, todavia, o vêem como um ser eloqüente, esperto, cheio de energia, cooperativo e em conformidade com sua natureza. Para estes a imagem do macaco é positiva.
Além do mais, se comparado a outras espécies, o macaco é muito evoluído. O conceito geral de divino lhe escapa, mas nós, mesmo concebendo o divino, nos encontramos tão distantes dele que se a ele formos comparados, estamos também muito atrasados.
Seja lá o que o divino for, sempre será de acordo com a percepção pessoal de cada um.
Conceber o divino é abarcá-lo. O divino tem, para a pessoa que o concebe, ela própria como fonte desta concepção. Ora, o divino está em sua origem.
E por que não assumir uma existência divina, se a concebemos?
A existência, tudo e qualquer coisa é só um conceito. Sem conceituar coisa alguma o macaco é coisa alguma e mais aquilo tudo que ele é e não percebemos em nossa experiência.
A experiência de cada um é um universo vazio de existência própria e por isso o negócio é ser feliz sem precisar de motivos. Se creditarmos nossa satisfação no que quer que seja estamos fadados ao sofrimento.
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