Pão. Silêncio absoluto.
As paredes velhas, o maço; ninguém, nenhum sinal. Na porta, expectativa. Ali um caminho de formigas; quase num impulso as mato, quase levanto da mesa, quase esqueço que espero. Distração não é bênção? Vi uma sombra? É ele lá? Não, não... é a sombra do vizinho entre a porta e o chão. Toca o susto do telefone, bate o coração da porta! É ele! E a campainha queimada? Tinha esquecido. Por que não espera? Como eu? Calma! Já vou!
Bêbado, não diz nada. É gostoso olhar nos olhos, mas ele disfarça; o ruim é saber que só quando bebe.
- Vai dormir.
- ...
Teimoso. Aflita. Deito sem deleite na colcha impecável, branca, pura, virgem de tudo que não sei sobre meu filho. Melhor saber do pior do que não saber nada. Há pior? Sofre e não me diz? Melhor? Goza a vida e não me diz? Durmo dura, acordo seca. Ele já foi.
Perfume de mulher na camisa. Lavo seu crime? É não me contar. E perco as provas, salvo meu menino da obrigação de ter, na vida, de me esconder o que –. E eu, que a tudo vejo, nada sei. É ser mãe, isto.
Domingo. Ainda os embalos de sábado à noite. Agora outro caminho na parede; ali cigarros eu, que ele não me veja assim! O pão não comeu; nem toquei; só dele; ficou duro e velho.
A entrada triunfal, o show mais esperado da noite! Senhoras e senhores: alívio misturado com a habitual decepção: meu menino! Bêbado, nem um só pio. Abre a geladeira, reto pro quarto, morre no escuro. Acabou a noite, acabou o dia, os amigos, os beijos... A dor, continua, a minha; o vazio das paredes velhas sou eu. Os sinais são todos, os gritos são muitos, o silêncio é absoluto.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
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