O mundo gira mesmo sem mim.
As pessoas cuidam de suas vidas e porque eu teria algo a ver com isso?
Ninguém sabe o que eu sinto.
É assim que eu me sinto, sozinho, com frio.
Durmo num quarto frio, sem móveis, sem vida;
baratas;
acordo com dores no pulmão
acordo e continuo tonto
dou um gole do vinho para matar a fome
em troca de ficar enjoado.
Não tomo banho por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Sensação de poça d'água, pocilga, urubu, pentelhos, sarna.
Idéia de tudo errado.
Durmo de roupa da rua para não sujar o pijama ainda limpo na mala.
Na cama nojenta não viro pro lado por nojo de tudo nessa hospedaria infame e fedida.
Entretanto,...
esquece...
Se começar a imaginar o que dia-a-dia é feito naquela cama
e por quem
nem durmo.
Tão à vontade, peludas e marrons, as baratas
não quero perturbar as verdadeiras donas desse quarto.
Não me permito me sentir à vontade
numa vida que não é minha
que é em vão.
Não me permito sentir prazer
porque a dor justifica a culpa
e a culpa justifica a dor
Aonde está a minha vida?
Esta é a minha vida.
Que grita
urra
se autodestrói
e ejacula dor
De noite gritos
madrugada galos
de manhã sustos: que horas são?! Onde estou?!
O que eu fiz?!
O que está acontecendo comigo? O que está...?
O que...?
O que mesmo?
Já nem sei...
Nem mesmo das drogas eu gosto mais.
Sem ânimo,
fodido,
fodido.
O corpo cansado anda com malas perdido nas ruas horríveis do nada.
Não há nada que me agrade.
Ninguém sabe o que eu penso.
Ninguém me pergunta.
A viagem para longe, pra que, se eu vou sempre junto?
Não posso fugir de mim.
Ficar parado,
esperando tudo acabar.
Vendo que nada vai acabar.
À volta está tudo igual.
Ou seja,
nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Quero muito uma coisa que não sei o que é.
O tempo está se esgotando.
Quero chorar
mas não tenho a menor vontade.
Seco, observo a mim mesmo observando a mim mesmo.
E isso não me leva a nada.
E a que me levaria?
No que resultaria?
O que eu quero?
Não quero mais nada.
Fatigado,
murcho,
frágil,
qual uma folha seca
que vira farelo se tocada,
Sozinho, eu não sou nada.
Nem o pior que se pode ser eu sou.
Sou pior do que isso.
Não sou tudo aquilo que sonho
para poder continuar sonhando
e ser covarde.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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5 comentários:
O frio nada mais deve ser sentido ou perdido por um casaco bem do fundo da mala!!
oi gabriel
obrigada pelos comentários
adorei suas visitas nos blogs.
li alguma coisa do seu blog...fiquei com vontade de ouvir.
antes tinha um evento no planetário "fala palavra" hoje em dia acho que foi pra lapa, virou "ratos diversos". sabe o que é?
quer ir um dia??? e ai vc recita
e quem sabe eu desenho alguma coisa....
é tipo espaço livre pra criar, quer dizer, era. agora nao sei como esta...faz ano que eu não falo com aquela galera....evento do chacal....
conhece?
bjos
vc foi viajar?
vc esta mal mesmo?
ahhhhhhhh
preciso de noticias suas...
beijos
METAMORFOSE!
Seria um Kafka?!
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