sábado, 7 de fevereiro de 2009

À Noite, Só.

Nas profundezas

Do meu Ser

Restam as águas

Paradas

Nas grutas inexploradas

Simplesmente me

Sinto perdido

No labirinto de túneis

Começo a me sentir

Sozinho e sei que

Isso é bom.

Sei que

Há muito medo

De viver pela primeira vez

Fora da prisão.

Que vida será esta?

Tão igual (exatamente igual)

Que pode ser ruim e boa?

Questionamentos me surgem...

Eles, eu não sei de quem são.

Faço errado?

Fim

O alívio e a alegria são constantes na natureza

No medo do silêncio que cochicha a noite inteira

O alívio e a alegria são constantes na natureza

A Natureza é o resquício de tudo de podre

Que escoa no mundo até o esgoto em si mesmo

É também o arco-íris

O metal

A maçã

E o pão.

É a faísca do instante sublime.

Eterno presente.

No medo da falta de amor se sente agonia

Na solidão constante pela família ausente

Fica congelante um dia quente.

Fim

Vejo coisas.

No início pareciam fumaça.

Há algo de ótico desajustado

E se movimentam em qualquer direção.

Parecem partes aparentes de seres a mim invisíveis.

Parecem matéria de outra matéria de outra dimensão.

Minha gata preta também os vê.

Com eles ela fica bem agitada

E eu a achar que eram moscas...

Senti vários corpos, vultos vagando.

Notei serem seres atravessando os móveis.

Vê-los, tornou-se,

Questão de coragem.

E o não querer ver foi muito forte.

O incomodar foi estremecente.

A imaginação é sempre fértil,

Mas nem sempre

Com puras águas regada.

Acho que saí do eixo.

Mas vai ficar tudo bem.

É a ausência de alguém que me faz pirar.

Mas vai dar tudo certo.

Vou dormir bem, me recuperar...

Meditar...

Tranqüilizar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Precisamos mergulhar nas sombras, um estágio negro, aprender a viver no escuros, a luz do interior pode ser acesa há qualquer momento, nós somos luz, luz nos rodeia, nos comove, nos locomove, até agora, descobriram algo mais rápido que a velocidade da luz, mas o que importa, importa é que somos um pedacinho de da criação, energia, irradiamos luz, os átomos são deuses que nos compõem, toda nossa matéria bruta, pesada, compacta, formada de luz bem junta, somos todos luz, e necessitamos, um tempo de sombra! Nossos olhos precisam se acostumar a enxergar, onde não enxergamos, um pouco um pouco, inconsciente, trevas não, é a sombra! O caminho? Siga, o sapato não pergunta para onde ele tem que andar!! Apenas anda!

LNabuco disse...

É um grito profundo esse teu.
As palavras vão contando exatamente sem falsidade ou fingimento,ou seja,não existe o fazer um gênero.
São verdades.
Quando se vive em uma prisão e saimos seja por descuido do carcereiro ou astúcia do prisioneiro há o momento do medo.
Que vida,você questiona,e agora o que se há de esperar?
Visões nos buscam na nossa fragilidade,mas são momentos fortes como se sente algo há muito apagado.
Acho vibrante o que você descreve,suas sensações,você as entrega de forma tão aberta,generosa,doa a quem doer.
No fundo a dor foi muito mais sentida em você.
E transgride depois com doses de alegria e alívio...A noite finda a luz te penetra...
Quem te olha pelo que escreve olha também a si mesmo.
Lindo e comovente!!