sábado, 28 de fevereiro de 2009

Me retiro

Ah,
Se eu fizer um filho...
Darei-lhe outro nome.
Será ele outro homem
Bem melhor
Do que eu sou.

Se a coragem se acovarda
Vive em guarda
Vem gritada –
“Faço nada!”
“Faço nada!”
“Não, não!”
“Nada”,
“Não, nada!”

Quero ter por perto
A mulher que não abandone
O risco de viver
em constante desafio.

Não precisa ser de um jeito
Que tenha que ser.
O que for do meu destino
é para mim águas do rio.

Dentro do que eu sou não há nada
Limitado.
Dentro da razão há um homem
Apaixonado.

Desequilibrado.
.


!!!

Meu lado mulher aflora em ácido puro.
Caráter de Jacarandá,
Até Deus vai rezar.
!!!


Minha mãe querida
Que sempre cuidou de mim
Comprará revistas
Para me cortar.

Meu pai
Gozou às vísceras
Criou-me de suas tripas
Gerou-me um parasita
Para o mundo ter que me aguentar.

O Exército,
me chama à morte.
À vingança.
À vitória.
E eu
Me chamo “tudo”,
neste instante:
Ignorante,
Impermanente
Delirante
Fim.
.
.
A morte,
Se eu morrer,
Será como um mendigo
Que eu não encaro.
O mendigo,
se viver,
verá que a morte
sai menos caro.

Dentro do que eu sou não há nada

Limitado.

Dentro da razão há um homem

Apaixonado.


Desequilibrado.
.
.
Nem sempre
Os livros sócrates.

Nem sei se sou humano.

Se for ela,
a minha espera,
A amarei,

Como me amo.
.
.
Quero febre alucinógena
Para me livrar do raio dessa lógica

Quero uma vida narcótica
Para me aliviar de toda essa droga

Quero uma família neurótica
Para fugir do eu futuro,

Quero quebrar o relógio
Medidor de tempo perdido.
Quero estrangular minhas lembranças
Tão queridas
Meus sonhos me envergonham
Por não terem sido realizados

Serei a carcaça educada
Que aprendi a ser
No meu retiro.

Eu me retiro.

3 comentários:

Anônimo disse...

eu voltei
e vejo-o cheio de antinomias
a poética verdadeira
ditada pelo pensamento
de que algo num dia futuro
num ser futuro
resolverá o agora!
Muito boa e envolvente
Abraço,
Pedro

Anônimo disse...

Muito boa a tua poesia.Fusão entre futuro e passado.bjosss

LNabuco disse...

O Javali de Erimanto...cargas e toneladas de água me trouxeram e banharam com a certeza de que seus escritos,são conquistas que se mostram vivas como o essa façanha de Hércules.
Destruir,aniquilar de nada vale,não é uma verdadeira conquista.
Reconstruir,domar( a fera interna)
liberar em toda beleza selvagem.
Assim é.