Me sobe o sangue, infla o pulmão
Não penso, só falo, os olhos arregalo
Vitoriosamente louco, prisioneiro solto
Manifesto a raiva e o amor pelo que digo
Meus instintos eu sigo, meus impulsos são puros
E se os gritos são nulos, então não fiz nada
E minha alma exaltada fugiu do equilíbrio
Aderiu ao extremismo e se contradisse
O descontrole que tive me foi sofrimento
E o momento seguinte, só nostalgia
Perdi energia, estive errado
Morri acabado, exausto, sem força
O sangue ebuliu, depois congelou
Minha voz agrediu, minha esperança era pouca
Minha razão, talvez certa, expressava-se cega
Sozinho ou com todos, era meu o motivo
Quanto mais eu ataco, maior é o perigo
E se fico calado, preservo minha imagem
Se coragem é muita, então desafio
E se rio do passado, qualquer coisa aprendi
Um dia exaltado...
Coração descontraído, um dia se ri
E se me ver estendido, com um belo sorriso
É porque eu morri.
20/10/2003
4 comentários:
Quando o artista consegue expor e materializar na sua arte seus medos e demônios ele alcança a plenitude do equilíbrio,a sensação de que percorreu e determinou por si próprio sua vida.
Somos o que sonhamos e somos essas camadas de segundos ,minutos,e elementos que dentro de nós reaje aos elementos da natureza e do cotidiano.
Qundo não conseguimos estabelecer nada é o vácuo a esquizofrenia de nunca chegar,O Carro desgovernado por não equilibrarmos seus pólos suas forças antagônicas.
O que é fascinante na sua obra é o questionamento o derramar sincero,a assinatura do artista.
Da exaltação dolorosa e vívida você desce um degrau e a enxerga.No momento seguinte há o alívio.
Você é.
Imenso mar artístico.
É uma benção ter essa sua consciência tão profunda e continuar seguindo instintos, se deixando levar e dando voz ao que vem lá de dentro e que precisa sair pra gente viver e aprender. Porque essa consciência não é pra castrar a gente, é pra equilibrar, pra gente não controlar tudo nem perder o controle. Porque energia é pra ser usada pra depois se renovar!
Em outras palavras: adorei, suas palavras explodem de vida!!!
Logo quando finalmente sorrio, morro?
É a desfalescência diária da essência a ser descoberta.
O sono diante da magnitude do ser.
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