terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Exaltado



Me sobe o sangue, infla o pulmão

Não penso, só falo, os olhos arregalo

Vitoriosamente louco, prisioneiro solto

Manifesto a raiva e o amor pelo que digo

Meus instintos eu sigo, meus impulsos são puros

E se os gritos são nulos, então não fiz nada

E minha alma exaltada fugiu do equilíbrio

Aderiu ao extremismo e se contradisse

O descontrole que tive me foi sofrimento

E o momento seguinte, só nostalgia

Perdi energia, estive errado

Morri acabado, exausto, sem força

O sangue ebuliu, depois congelou

Minha voz agrediu, minha esperança era pouca

Minha razão, talvez certa, expressava-se cega

Sozinho ou com todos, era meu o motivo

Quanto mais eu ataco, maior é o perigo

E se fico calado, preservo minha imagem

Se coragem é muita, então desafio

E se rio do passado, qualquer coisa aprendi

Um dia exaltado...

Coração descontraído, um dia se ri

E se me ver estendido, com um belo sorriso

É porque eu morri.



20/10/2003

4 comentários:

LNabuco disse...

Quando o artista consegue expor e materializar na sua arte seus medos e demônios ele alcança a plenitude do equilíbrio,a sensação de que percorreu e determinou por si próprio sua vida.
Somos o que sonhamos e somos essas camadas de segundos ,minutos,e elementos que dentro de nós reaje aos elementos da natureza e do cotidiano.
Qundo não conseguimos estabelecer nada é o vácuo a esquizofrenia de nunca chegar,O Carro desgovernado por não equilibrarmos seus pólos suas forças antagônicas.
O que é fascinante na sua obra é o questionamento o derramar sincero,a assinatura do artista.
Da exaltação dolorosa e vívida você desce um degrau e a enxerga.No momento seguinte há o alívio.
Você é.
Imenso mar artístico.

Priscila disse...

É uma benção ter essa sua consciência tão profunda e continuar seguindo instintos, se deixando levar e dando voz ao que vem lá de dentro e que precisa sair pra gente viver e aprender. Porque essa consciência não é pra castrar a gente, é pra equilibrar, pra gente não controlar tudo nem perder o controle. Porque energia é pra ser usada pra depois se renovar!
Em outras palavras: adorei, suas palavras explodem de vida!!!

Gabriel Springer Pitanga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Springer Pitanga disse...

Logo quando finalmente sorrio, morro?
É a desfalescência diária da essência a ser descoberta.
O sono diante da magnitude do ser.