Minha vida é azul,
Amarela também.
Tem verde, bastante;
A minha vida é como a de ninguém.
E a minha vida é como a de todo mundo
Abunda de compaixão
Afunda em absorção
E diz amém.
Sou Mestre de mim,
Comando a verdade.
Planto aipim
Colho na idade
Utilizo todo tipo de erva
Nas poções pelo fogo exaladas
Fumo as essências de outro planeta
No cachimbo da ilusão perdida, achada
Entro em estados profundos da existência
E a minha vida é como a de todo mundo
Abunda da experiência
Abunda de fraternidade
(Abunda) de riquezas também
E diz amém.
As pessoas são tantas,
Tão interessantes!
Pesquisá-las, todas!
Cada uma a seu devido instante.
Absorver-lhes a loucura
Emergi-los de si
Trazer pra própria casa
Criar um saci
Ouvi-los todos, criar um monstro!
Que eu mostro pra Deus
Que eu quebro o espelho!
Me liberto de mim!
Rasgo em vermelho!
Mato o capim!
Arranco a raiz!
Esmago a matriz, a semente, o sumo
Engole a polpa no gole, meu amor,
Que é vitamina!
É energia também!
Diz amém.
Amo a música!
Amém!
Furo as ondas!
Amém!
Subo nas árvores!
Amém!
Senhor!, quer que eu carregue as caixas?
Senhora, quer que eu abra a porta?
Madame, quer que eu carregue a senhora?
Senhorita, levo suas frutas para minha mesa?
Lavo-as e chupo-as?
Sorvo-lhe
Beijo-lhe a nuca
E como de surpresa
Como-a de sobremesa?
E louva-me a mim, tu também?
Amém!
Amém!
Aleluia!
Abre a boquinha, engole a hóstia
Dessa alegria tão bonita e sem fim
louva-me a mim, louva-me a mim
assim, de joelhos, assim, assim
Amém!!!
Aleluia!!!
Glória aos céus!
Vivo eu nessa pajelança
Deuses me escutam
porque eu sou criança
Acredito no mundo
Fundo! Fundo!
"Ó Senhor, és comigo tão misericordioso"
Vou tirar minhas roupas e andar nu pelos campos
"Tão tesuso, tão gostoso"!
Vou andar por aí...
Eu posso ser o que eu quero.
Posso falar doce
Posso fazer Milagre
Posso andar por aí!
Minha Lei Divina
É você, tão feminina
Ó Vida, Mulher, Ó Natureza!
Senta e põe a mesa!
Agora eu quero comer.
Ser farto e glorioso
Dar glória aos céus
Porque sou criança
E acredito no mundo
Desnudo seus véus
Respiro as brisas
do rio entre suas montanhas
E sinto tão puro
O Ser que se convence de si
De ser o próprio prazer.
Uma substância translúcida
Escorre secreta e tímida
Da sua fantasia
Para a minha alegria.
A-le-luia!
Saravá!, Afinal...
Louvemos o Senhor,
Que vos falo
em um estado
enrijecido
vos falo
no ouvidinho
na orelhinha
ó, ó....
ó, querida ovelhinha...
"mééééah"!
Baliu?
De prazer?
Viver é tão bom!
Adoro!
Vamos elevar o nosso pensamento!
Fumar maconha
E se preocupar com as vírgulas.
Beber muito mel!
Direto da fonte
Dentre as montanhas
Deitar no mato e recitar epístolas
Anunciar boas vindas
Aos invadidos
Aos desregrados
Aos sem batismo
Aos desvalidos
Pobres suorentos
Pseudos
Mendigos
Amém.
3 comentários:
quando você é criança e acredita no mundo pode realmente fazer milagres. O mundo se refaz a cada segundo e é fascinante o tempo todo, tudo é digno de máxima atenção!
suas palavras soltas, alegres e doces expressam bem esse estado de espírito!
Jogo de palavras jocosas...e mais sim!
Pois quem acredita ser menor a arte do deboche,do escárnio,desconhece o sábio no bufão! Só lê e dá importância a papéis escritos,só se atêm em cracias...burocracias,burocracias..tudo certinho,enquadrado.
Ora,decididamente isso não será sua linha literária.Você consegue voar,ao contrário de muitas geringonças pesadas e obsoletas em idéias estreitas...
Tudo tem que ser recitando...salões,saraus,teatros,ruas de mendigos e doutores...recitado com tua energia,a mesma que você escreve.
É o mesmo sangue vermelho de bufão de quem ri,troca de poder,faz graça que é muito séria no final de tudo pois muito tem a dizer!
Abaixo os requintes frágeis e duvidosos!
Viva você!!!!!!!!!!
Viva seu deboche!!!
O Rei está nu!
Você enxerga e aponta o que de ridículo tentamos esconder...
Ser recitado..corrigindo o escorregão..
BJS!!
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