Eu agradeço à existência, por existir.
Não sei como seria não existir, mas sei que enquanto ser existente sou muito feliz.
Não sei se há algo além da felicidade, algo ainda maior, melhor e mais livre,
Talvez haja, e talvez seja isso que eu vivo.
Algo maior que a felicidade.
Aquilo que me parece ser o mais alto ideal, eu concebo, tão plenamente, e vivo...
Não me falta nada, não reclamo de nada.
Não tenho pressa.
Agradeço não sei a quem.
Ou à que.
Ou, se tudo depende de mim, à mim.
Não sei, e não me incomodo.
Tanto faz. Está sendo bom.
No dia-a-dia, entre as picuinhas
Falo, reclamo, praguejo, xingo
Invento, amaldiço-o
E pareço tão infantil.
Porque sei que isso tudo é brinquedo de criança
Enquanto o ser maduro em mim abençoa todas as pessoas
Caminha sorridente, leve
Alegre
Perdoa a tudo
Ama cada pedacinho
Da vida
Tão traumática
Dramática
Aterrorizante.
Ama os percalços
As ziguiziras
Os piriris
Os obstáculos intransponíveis
Porque acredita em impermanência
Se o muro não cede, eu cedo
Se eu não cedo, o mudo cede
A vida vai sempre em frente.
Os passarinhos voam
O céu é imenso
Janelas urbanas, cada uma pequena tela indiscreta da vida rudimentar de seres cheios de meios, aparelhos, botões e máquinas,
Tudo é tão fácil para esses seres modernos que não usam mais clavas
Mas que odeiam ainda,
E brigam por qualquer coisa
Que é ridículo.
Somos exatamente os mesmos, de roupas sempre novas.
As pessoas demoram para ser felizes.
E se libertar
Agradeço por ser assim
Agradecer, isso é o meu instante presente eterno
Me resta ser um fofoqueiro espiritual.
Inimigo das seitas secretas
Das maçonarias
E dos grupos fechados
Étnicos, culturais, genéticos, econômicos
À todos odeio, com a força da minha compaixão.
Isto é, os abençô-o.
Vejo as diferenças, discordo, não gosto, me revolto,
Tudo num único instante.
Vejo que são homo-sapiens de roupas novas
Tristes
Infelizes consigo mesmos
Tentando de todos os jeitos errados serem felizes.
À base da ignorância
À base da segregação,
Do mau uso do poder,
Do uso do dinheiro.
E da manipulação.
Coitados.
Ainda sofrem.
Fervorosos cantam suas diferenças como se as defendessem do fim vigente.
Com medo do diferente.
Com medo do próprio futuro.
Mutável.
Incessante.
Apegados, morrem, instante por instante.
Envelhecem na sua frente, a cada comentário racionalmente embasado.
Não se contradizem.
Morrem.
Perpetuam para dentro de si sua religião... E daí?
Deu no que?
Desapegado, nasço, instante por instante.
Rejuvenesço na sua frente, a cada quebra de certeza.
Pra mim é tudo novidade, sempre.
Vivo.
Eu é que, de fato, vivo.
Perpetuo através dos que me vêem o meu hábito estranho
Ser feliz sem motivos.
3 comentários:
Aliviante deixar de lado o esforço de nomear o que queremos... só confunde tudo e certezas acabam virando fardos que ninguém precisa carregar. Acabam virando muros entre as pessoas...
Que lindo tudo!
Que alívio te conhecer!
Não nega a simplicidade,alegria,quebra( das regras...)me transmitiu um alento, esse é um texto,uma poesia que quando nada mais se tem ou se acha que nada mais se tem ela nos percebe.
Verdadeiramente.
Eu me inundei em beleza de bem viver.
Gostaria de possuir essa nobreza de espírito.
Acho que jamais leviatarei,mas ainda assim lerei sempre em momentos de desencanto,ficarei leve a ponto de acreditar realmente que estou voando...
Belíssimo!!!!
A Era Medieval não acabou só porque os repórteres apresentam o jornal sorrindo.
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