quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vida Psicodélica

Vivo num mundo Azul onde tudo é belo. Faço; sou; respiro. As folhas falam comigo. Sou também bicho do mato, na caverna, no Psico!
Nado nas correntes de fumaça - bolhas de ar do céu intenso respiro. Meu orgulho é tanto, quase desesperado, eu saboreio cada grama do ar..
Vivo num Mundo Psicodélico.

Aqui estou. Não há aqui. Ali estive. Não houve ali. Do que restou em muito mais nada era do que aquilo que havia. Aquilo que havia jamais existiu.

Nado tranquilo,
Na minha força interna está o fogo!
Na força do vento em correntes é que me movo.
Nágua estou toda vida, água-fonte da vida física.
E dos minerais, das plantas me alimento, ervas que vieram da terra!
Algas que viraram florestas!


Vida Psicodélica!

Dos minerais dá água, o elemento terra.
Do movimento da terra, vigora o fogo.
Na maciês de seu fluir tranquilo, ar.
E na loucura, docura e frescor líquido da própria água!
Plácida e sábia. Dura e bem humorada. Ela é o seu próprio segredo.

Vida Psicodélica!

Do pomar macio, as maçãs fresquinhas.
Do frescor do mato, frutas silvestres e ervas daninhas.
No Ar. Pousados nas folhas. Insetos arquétipos de vida, pequenos robôs sozinhos.
Ar! Respiro.

Árvores têm os pés na terra.
Bebem do minério das águas. Ferro.
Fazem o melhor fogo. Âmbar!
Estalam. No frio, no escuro.
No calor translúcido da chama.

Ardem, as molécolas de lá, daquele evento, o vil incêndio.
A viril flâmula vermelha.
É sua vida, seu ser, seu isso, e seu aquilo.
É como for, é como quiser.
No encontro da próxima alteração física, é o que é.
No Respiro, a química transformadora constante da alma.
Ser é mover.
Flua gostoso, flua bem. Deslize a Vida.

Vida Psicodélica! Vida Psicodélica!

Qual um peixe, insano e direito.
Qual um boi, desconfiado.
Qual aquário, torpor colorido!
Capricórnio, erradicado.
Baleia, bicho perdido!
Raposa, belo achado!
Macaco Atropelado!
Chão partido.
Buraco.
Fim.
De um expirar.

Pé ante pé, sigo no pico!
Clico no passado ligado no canal do O Eu Me Divirto.
Notícias do Mundo Preocupações;
Pois ninguém vai ao fundo, porque nões.
Por que nões, por que sins? Tão maquiavélicos, tão Maniqueistas!
Fins do Mundo ou Mundo enfim? Cadê a notícia na revista?
O que eu ganho?
Preocupações!
Por que eu não deixo ser eu a dar a mim mesmo premiações?
Medo!
Meu medo!
De mim!

Rá!

Sou o Sol das Três da Madrugada!

Pé ante pé.
Sigo.

O que me dou? Eu sei.
Eu sei o Segredo.

Rá!

Sou o Sol das Três da Madrugada!
Sou o Sol das Três da Madrugada!
Num inspiro recém chegado!
Esfinge Sagrada!

Sou o Sol da Madrugada, Três vezes!

Rá!


Morri ou não morri?

Não sei. Não vi.
Não vi morte. Não vi vida.
Sequer existi.
Não vi o que não havia.
Não vejo o que não há.
Vi morte em tudo! Vi vida em tudo!
Em absolutamente tudo, sem excessões.
Vi a morte nascendo na vida que estava morrendo.
Sem cessar.
Vi as coisas coisando, dissolvendo-se em si mesmas,
atravessando a auto-transformação indo de si para si,
deixando de ser e vindo a ser. Esse é o nosso Estado Presente.
Deixando de ser e vindo a ser. O Estado Intermediário.

Virei pó,
Era pó.
E antes era apenas eu mesmo.
Entre o ser eu mesmo e o ser pó-eu-mesmo o transformar aconteceu. Tive um presente, vivi um momento. O que eu era, que não era pó nem mesmo eu?

O que tenho sido desde sempre, através do sempre, para o sempre?
Só uma transformação! O trânsido entre uma forma e outra, que jamais ficam, que nunca são.
Negarei o futuro, essa afirmação negativa do presente!
Negarei o passado, esse presente que dói pra passar. E não quer passar!

Pularei do muro no caso de dúvida: para o bem-vindo erro da experiência!
Provar do mesmo é ler sem entender.
A transformação não cessa, prisioneiro!
Não cessa!
Meu trato comigo, nesses momentos... únicos! Que é único!
Como o faço?

Ascendo uma vela! Para mim!
Louvai-me, Ser!
Seja eu também um Buda!
Cresça em mim a semente da consciência de Buda!
O Estado Divino!
Tenha eu a consciência búdica!
Seja eu minha realidade!
Na pureza da Felicidade!
Sem motivos!
Felcidade que não é causa ou conseqüência.
Pura Essência, energia pura, vácuo preciso.
Felicidade sou Eu, que sou o Agora, que Falo. Que Ouve. Que Lê. Que Está Consigo.
Presente! Este que sou, para mim!
Presente! Este que te digo ser tão bom!
Presente que te dou, de mim.

Agora! Só Agora! Só Agora Para Sempre! Para Sempre! Sempre! Só Agora!
Sem por quê!
Querendo sem querer,
mais do que por acaso.
O próprio Acaso!

É o Ser!

Sou o Sol das Três da Madrugada!

Estou no Topo da Roda da Vida quando os que já estiveram acima de mim estão agora abaixo, recebendo o bem que faço, bem que não me deram quando lá estiveram. Sempre há quem. Então estou sempre no Topo da Roda da Vida! De onde quero o bem delas, mostrando-lhes o uso do Poder.

Estou no Topo da Roda da Vida. Estou acima. E sou bom. Sou bom porque sou calmo e feliz. Tranqüilo, ninguém faz mal nenhum a ninguém. Sou bom e não me apego a riquezas materiais. Não vejo o corpo, sim, vejo, a expressão física do ser!, e a Alma, o Labirindo Pleno de Si.


Do Topo da Roda da Vida se vê lá embaixo, bem lá embaixo. Vê o mais pobre, o mais feio, o mais fraco. Vê o pior sofrimento com tranqüila acuidade. Vê o pior sofrimento sendo centro de luz jorrante de alivante alegria. Vê a Alegria Pura em si mesmo; sê o centro da luz que se despeja em raios. Luz Calma, Divina. Luz Santa. Águas Claras. Mão-Santa, Mão Boa. Ser Azul, tranqüilo. Feliz.
Diante do pior: Feliz!
Que se sabe a Felicidade!

Grande Segredo. De Todos.
Poucos sabem que possuem.
Muitos poucos o deixam de saber.
Pois o caminho à luz se apresenta sempre. Sem expressões físicas que a possam dizer.
Palavras, formas, formas de pensamento: qualquer obstrução está fora. Só há nessa mistura essência pura. Nessa unidade que nada mais é que o convívio. Nessa unidade não há problemas para nada.

Unidade nada mais é que o convívio.
Muitos! Na verdade, Todos! E a expressão de nenhum prevalece.
Todos existem. Todos são. Agem, comem. Ninguém sobra, ninguém tem fome, ninguém tem pressa.
No convívio pleno e saudável. É isso que se chama Convívio!
Não há outro. Só o convívio feliz é o convívio feliz.
Como poderia o convívio conflíctuo ser o convívio divino, se o convívio conflíctuo é o convívio conflíctuo e o convívio divino é o convívio divino?

Unidade Pura. Essência Calma. Ser Tranqüilo. Convívio Divino.



Onde todos são felizes, todos são felizes.

Todos podem ter a própria vida psicodélica.

Eu posso ser o Sol das Três da Madrugada.

Agora há!

4 comentários:

Anônimo disse...

O mundo é totalmente psicodélico... Sempre foi, mesmo antes da década de 60... rsrs Qualquer pessoa pode ter abertas as portas de percepção, mesmo sem drogas alucinógenas. Basta um pouco de sensibilidade. Então penso que o grau de psicodelia na vida de cada indivíduo é diretamente proporcional à sensibilidade desenvolvida.

Gostei bastante do texto, me fez lembrar de "Simultaneidade", de Mário Quintana:

"- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta."

LNabuco disse...

Hierofante Gabriel...
Do fundo da sua caverna você possui segredos de uma vida inteira e os compartilha!
Eu sento diante de você nessa grama verde tendo apenas o azul de uma abóbada para me cobrir.
Eu sento e escuto pausadamente como alguém sedento e admirado diante de um texto que é um ensinamento claro e poético.
Ensinamentos são dádivas como flores selvagens e ternas...
P assamos cotidianamente à procura e sem saber,sem querer,na cegueira dos sentidos pisamos nessas ofertas sinceras...esperamos receber sem esforço.
O Hierofante é um sábio pois ele foi ferido,ou seja ,tocado,isso pode ter inúmeras definições e significados,ser tocado,ser agraciado,ser iluminado.Estar na sua calma e plenitude para entender,respirar e colher maçãs fresquinhas...
Você me fez mergulhar em mim mesma e no meu caminho e perceber que quem almeja a paz e a alegria delas respira e por elas espalha compaixão.
Tudo em você é um fluxo íntegro de coisas formidáveis e generosas.
Você através do que escreveu eleva as questões espirituais como o centauro das cavernas,o mestre dentro de cada um de nós o intermediário entre a consciência terrena e o conhecimento intuitivo.Não é por acaso que a caverna é uma construção natural.Forjada pela natureza amplia a percepção de somos feitos dessas duas pilastras o divino e o animal.Quíron é o símbolo desse convívio feliz,pois sempre seremos essa mistura de duas forças opositoras ,sempre haverá dentro de nós a claridade e a obscuridade,a dor e o afeto,a cura e a doença.Hoje eu vi muitas de minhas feridas ,hoje eu percebi no que você escreveu que essa ferida me eleva para questionar o meu caminho e abre umm entendimento maior nas leis da vida.
Quero dançar na grama verde coberta de sol,eu que sou donzela da lua,fria e obscura me sinto imensa e feliz pelo encontro que me levou até você,escritor!
Me cobri do azul adorado da minha vida psicodélica...
Onde posso ser feliz
Onde há!

Priscila disse...

Nossa, que libertador!
Clarice Lispctor disse: "não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento", e esse texto parece o reflexo disso! Uma explosão de loucura totalmente despreocupda, que vai se expressando por si mesma sem peso algum. Parece um fluxo sanguíneo, que carrega toda a nossa vitalidade e você nem sente correr!
Adorei de montão =D

Anônimo disse...

Muita ousadia a sua!!
O seu mundo psicodélico
Demonstra o seu olhar puro
Não há diferenças carnais,
Apenas o ser em suas virtudes!
Vibro com sua evolução!
Vibro com seu auto-conhecimento
Sua dimensão de mundo!
Psicodélico e ousado
Enquanto vive
na Samsara
Mas no topo:
Você é o Rei
Ao mesmo tempo:
Mendigo
Por isto não necessita
das diferenças

Grande abraço