quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sutil e Suave




Não existe pressa
Nem em morrer
Nem em salvar a própria vida
Nem em escrever
Nem em respirar

Se eu respiro devagar
Tudo é suave, tudo é sutil
Escrever é suave
Morrer é sutil
Viver é suave
Escrever é sutil
Morrer é suave
Viver é sutil
Sofrer é tão sutil e suave
Que deixa de sofrer
Vira pó
Fica sendo como igual ao Viver Perfeito.

Sofrer se torna algo
Que não é diferente
De qualquer coisa boa
Numa existência na qual
Todas as coisas são bem vividas, por alguém
Que desliza na vida
Como uma folha que
Cai da árvore e desliza no ar.
Suave e Sutil.

Sofrer perde o sentido.
O novo sentido das coisas e do Ser;
O novo sentido da vida e do que mais;
O novo sentido do novo sentido;
É espontaneamente dado pelo
Eterno Sem Pressa de Viver e de Morrer;
É ritmado na melodia
Do Universo Interior Não-Diferente do Universo Exterior.

Não sou algo que desliza.
Sou o deslizar.






Gabriel Schilling Springer Pitanga 19.11.2008
Pintura do artista russo Nicholas Roerich (1874 - 1947)

2 comentários:

Priscila disse...

a fluidez tranquila de uma respiração! foi como senti esse texto^^
cada momento bem respirado, faz toda a diferença!

LNabuco disse...

"Sou o deslizar..." E assim vai indo...leve,fluido e...sutil...é Gabriel,tem que espalhar mais esses grãos.