
É difícil dizer tudo que penso por causa das palavras.
Nem todas expressam com exatidão minhas idéias,
As vezes uma palavra destrói completamente o sentido
E me torna um mensageiro do desconhecido, logo eu,
Que queria entornar tantas certezas e ajudar as pessoas.
Tão difícil quanto, é pensar tudo que sinto.
As palavras nos limitam
E jamais uma idéia permanece a mesma
Até terminar de pensá-la.
O que me torna um pensador do desconhecido, logo eu,
Que queria me cobrir de tantas certezas que me fossem possíveis
E assim ajudar à humanidade.
Sentir, entretanto, é algo tão pessoal que,
Se não for meu sentimento absolutamente extraordinário,
Dotado de superioridade,
Existindo acima de todos os sofrimentos e
Apenas ligado à pura felicidade,
Então esse meu lado pessoal não passa de
Uma confusão trivial de ser humano.
E como ajudar a humanidade só com a intenção?
Prefiro não ter intenção nenhuma,
Não saber o que estou fazendo,
A conscientizar-me de minhas capacidades
E ir pro inferno das boas intenções.
Prefiro não ter que comunicar minha suposta sabedoria
Ao mundo.
Prefiro não ter que raciocinar sobre minhas idéias
Estéreis.
E estar exigindo um espaço nas terras férteis que desperdiçarei.
Prefiro não investigar sentimentos, prefiro não dar nome aos bois.
Prefiro esquecer o significado das palavras e deixar de saber que
É uma verdade que humanos sentem, pensam e falam.
Assim, se em algum momento desses eu me esquecer completamente
De que haviam sofrimentos,
E me der conta de que nunca mais precisei lembrar de nada,
Nada, digo, idéias que servissem para me animar,
Conceitos que julgava me estimular,
A moral que no fundo só me mascarava,
Então, poderei ter certeza absoluta
E não ter que decodificá-la.
Gabriel Schilling Springer Pitanga 4. 5. 2005
Pintura de Nicholas Roerich
3 comentários:
Achei "Desobstrução" bem forte e claro...
concordo, não precisamos nos preocupar para que as verdades mais puras venham de nós, é só nos entregarmos de corpo e alma (essa história de se entregar tá virando um clichezão nosso, mas válido, não é a toa que virou clichê) =D
Em todo caso você não tem medo das palavras,fugidias,companheiras,certeiras,poucas,são o seu verbo.Como você se constrói...é bom colocar em algum lugar o que está nos escapando,talvez sendo esquecido para sempre...
E se não fosse caotico assim, seria o quê?
Não poderia ser nada já conceituado meu caro!
Um dia desses, no exercicio fastioso que a arte me delegou, pensei como pode ser MAGICA a escolha de um homem bomba, cami...
Imagine... Signifique mas não descreva.
É o que já fazemos desde antigamente! Jung já explicou, mas fazemos bem melhor... kkkk
Por hoje basta!
Bjo
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