Depois de um dia quieto e improdutivo, de ter me sentido um tanto inútil e desgraçado, não merecedor do amor e da beleza nem capaz de expressar-me, amar ou gozar a vida, agora, de repente, sinto uma onda de prazer; inexplicável, sem razão e consequencia sei lá de quê. Te amo, te quero, sou um arranha-céu na sua cidade, quero ser a palmeira real na sua selva e ser assim por séculos, quieto e vivo, vibrando bem-estar, e você é o mundo, o mar, os pássaros que em meus galhos pousam e das folhas secas fazem ninhos, te quero, vida pulsante, materializada numa mulher, expressa na particularidade da sua alma... Sou uma mudinha ou um projeto de desenho no papel...
Você é o sonho, ainda sonhado, no limiar entre o real e o onírico, prestes a evaporar cruelmente e me deixar no deserto da verdade incompreensível, do sofrimento eterno, ou prestes a mudar completamente a minha existência, na direção do sucesso, da realização, da plenitude, da possibilidade de todas as possibilidades. Você sou eu, de um jeito ou de outro. É a confirmação da minha verdade. É o ponteiro do meu sucesso ou fracasso. A resposta das minhas preces ou o castigo das minhas pragas. É relativa à minha relatividade. É a pauta das minhas notas, o tônus da minha estrutura, o norte da minha bússula, a terra úmida, fértil e deliciosa, onde quero pisar descalço, plantar toda a humanidade e me enterrar com o coração quente e feliz.
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