
(Nome Suprimido),
Te amo intensamente.
Quero estar com você ao seu lado a todo segundo.
Quero ouvir suas tristezas e suas alegrias.
Quero assistir a uma vida nossa, e participar dela.
Quero regar as suas flores, provar a sua comida, fazer a sua cama.
Quero conversar loucuras com você e vê-las se encaixando na vida natural.
Quero conversar sem falar.
Viver uma relação de entrega.
Te ver feliz.
Eu estou entregue.
Eu estou certo de todas as incertezas. Aceito todas elas. Encaro qualquer uma.
Quero me desgastar até enjoar de mim, até não me querer mais, me esquecer e continuar a ser – algo que não saberei nem terei que saber o que é. Quero e vou – na verdade estou prestes a – viver uma vida de paz. Acho que espero só por você.
Não quero chegar lá sozinho. Quero segurar na sua mão e andar junto com você. Eu estou quase lá, mas estou quase dando a volta. Não vou lá sem você. E se você não quiser ir comigo, me adiarei completamente, refarei meus planos, repensarei a minha vida, levarei tempo. Buscarei outra onda, encontrarei outra mão e tornarei a seguir pelo caminho que sempre tenho seguido, que é inerente a mim. Ou melhor, um caminho que sou eu, e por isso não há escapatória. Ou, ao invés de refazer-me, prosseguirei sozinho. E lá, quando eu lá estiver, tomara que encontre alguém para seguir adiante, pois sempre há um “adiante” à frente. E eu nunca iria sozinho. Pode ser meu caminho mais do que dos outros, mas ele é bom. Se é bom, eu levo quem eu puder. Levo meus amigos. Cada um no seu passo. Não vejo você vindo comigo. Me entristece um pouco, e não posso forçá-la nem abandoná-la.
Tudo o que sei é o que sei sobre o agora. Sobre o depois, se for de outro jeito, e quais são as mil possibilidades se for de outro jeito, só saberei depois. E nem quero desperdiçar energia no “depois se”.
Sobre o agora, é o que sinto, penso, e escrevi. Veja a primeira frase. Está tudo lá.
Mais do que isso, numa folha de papel (num documento virtual!!!) não dá. Mais do que isso, só será notado quando os anos se passarem e pudermos olhar para trás e sorrir.
Estou entregue à felicidade. Estou entregue a você. Estou entregue ao que a vida me trouxer.
Estou entregue não a qualquer coisa que chegar, mas ao que estiver a minha altura e eu muito quiser. Estou entregue pois não há obstáculos aqui. Não há uma fonte inesgotável de opiniões para me proteger do mundo. O mundo e eu somos indissolúveis. Pulsamos em uníssono. Eu acompanho o ritmo do mundo. O que você não gostar em mim, é o que não gosta no mundo. A emoção que aflorar em sua pele e jorrar na sua face, é a emoção da Terra. Você pode senti-la em mim.
Gabriel...
Ilustração: Gabriel Schilling Springer Pitanga, "Montanhas", 2003
4 comentários:
Quem não gostaria de ser objeto de tanto amor e desespero? Suprimindo o nome por pudor você abre suas veias para o mundo.Dizem que se escreve para se livrar de si mesmo...
A incompreensão dos sentimentos é uma velha ferida que nunca cura.Nada mais triste do que suas palavras.
Nada mais belo.
Me enganei com essa pessoa. Por mais que a quisesse, estive atrás de uma imagem que criei dela. Enalteci um ser antes de conhecê-lo bem. Não vou falar o quanto me decepcionei com ela, nem que ela é muito superficial e tem um modo muito complicado de ver a si mesma e o mundo. Ela acaba se atrasando e se sabotando pela intensidade com que sofre. E seu maior sofrimento é ter sofrimentos. Ela parece ser uma pessoa que nunca sofre e, de repente, está imersa numa série de problemas. E, mal acostumada a lidar com problemas, fica confusa, perdidinha. Eu vi nela muito mais do que ela tinha e do que ela era. Vi, inclusive o que ela pode ser se quisesse. Mas ela não queria. Então a minha visão em relação a ela, para ela, de nada valia. Eu estava sendo inútil para essa pessoa. Saí. E, de longe, muito tempo depois, percebi que não adianta querer dar da sua água quando não há recipiente para recebê-la. Das duas, uma: ou ela tem potencial e luz e alegria viva e talento e não percebe - por mais que eu lhe apontasse vivazmente para essa direção, ou ela não é nada disso e eu é que queria que ela fosse. De qualquer maneira, não foi.
Entretanto... também tive minhas falhas...
Eu não soube me entregar.
eu não soube estar tranquilo.
Eu não soube me comunicar..
Eu não soube manter uma amizade..
Não soube agradecer pelo que tinha, à vida, pouco que ela me dava eu não sabia lidar. Queria muito. Arcaria? Estava a minha busca para o tamanho do tesouro?
Hesitei, recolhi-me, errei, errei, ...
Queria poder tudo de novo, voltar ao tempo, retentar, retentar que ninguém ia sofrer, eu não ia deixar. O final podia ser o mesmo: mãos vazias - não importa, desde que nesse final nem ela nem eu sofrêssemos.
Ansioso, nervoso, impaciente, apressado, confuso, me confundi em mim, me perdi em tantos indos e vindos meus, e não a vi passando, ao meu lado. Fiquei novamente só, comigo, na minha companhia solitária e dúbia, imperfeita, perfeccionista, frustrada, incansável. E volto a cantar o refrão do platonista prestes a quebrar-se em vão: Errei, errei...
Você é apenas duro demais consigo ao dizer que não se entregou.
Toda a sua carta exprime um real e sincero sentimento de entrega.
O que é raro de se ver em um homem.
Conta uma velha história que o amor é cego e tem a loucura que o guia...
Quem nos dirá como acaba um amor?
Quem nos dirá qual a forma mais sensata? Se erramos,erramos exatamente na profundidade dele,do amor.
Amamos como se fosse sempre o último dia.
Tenha certeza de que você soube dar seu brilho para e estrela altiva e distante.
Tenha certeza de que você desprendeu e derramou o belo,puro e mágico sentimento...
Não errou..apenas amou.
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